Tricolor entra sob tensão no clássico

Demissão de Ney Franco e insatisfação da diretoria com o desempenho decepcionante do time na temporada esquentam o clima no Morumbi

CIRO CAMPOS, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h03

No primeiro clássico dos grandes do futebol paulista no Campeonato Brasileiro, São Paulo e Santos se enfrentam no Morumbi, hoje à tarde, num jogo em que os olhares estarão voltados mais para o banco de reservas do que para o campo. No comando dos times estarão dois técnicos interinos e existe a possibilidade de o ex-santista Muricy Ramalho fechar com o Tricolor nesta semana.

A diretoria do São Paulo encerrou o vínculo com o técnico Ney Franco na última sexta-feira por acreditar que faltava ao time mais consistência. Nos quesitos regularidade das escalações e performances convincentes a equipe deixou a desejar, como o retrospecto aponta.

Apesar de terminar a primeira fase do Campeonato Paulista na liderança, o São Paulo construiu boa parte da campanha com o time reserva, até cair na semifinal da competição pelo sétimo ano consecutivo. Enquanto isso, os titulares iam mal na Copa Libertadores e por um triz o time não foi eliminado ainda na primeira fase. A sobrevida não durou muito e uma goleada impiedosa do Atlético-MG por 4 a 1 no Estádio Independência selou a eliminação.

Após esses dois tropeços em um intervalo de quatro dias, no começo de maio, a diretoria colocou jogadores em disponibilidade para transferência e fez o elenco treinar em regime de concentração integral em Cotia. Por sua vez, a comissão técnica fechou treinos.

As medidas não amenizaram o clima ruim e a gota d'água veio com a derrota em casa por 2 a 1 para o rival Corinthians, na última quarta-feira, na primeira partida da decisão da Recopa Sul-Americana. O resultado negativo deixou a equipe em situação difícil e fez a diretoria perceber que a terceira possibilidade de título na temporada estava escapando.

Agora, em meio a todo esse furacão, Milton Cruz tem de preparar o terreno para a chegada do novo técnico, que deve ser anunciado nesta semana

Como teve pouco tempo para trabalhar, o interino deve escalar um time com poucas mudanças. A principal delas é a saída do lateral-direito Douglas, que teve um pequeno estiramento no ligamento colateral medial do joelho direito na última quarta-feira e ainda não tem prazo para retornar. Mateus Caramelo deve ser o substituto.

"Temos um jogo difícil pela frente e precisamos dos jogadores 100% fisicamente. O Santos tem jogadores de qualidade, como o Cícero e o Arouca, que passaram por aqui", elogiou Milton Cruz.

Reação. Apesar da instabilidade que atinge o São Paulo, o cenário de mudança pode ser favorável para o meia Paulo Henrique Ganso. O ex-santista chegou ao Morumbi em agosto do ano passado por R$ 23,9 milhões e demorou para ser titular com Ney Franco, o que irritou a diretoria e torcedores.

Contratado com o status de novo maestro, o paraense passou a ser titular somente nesta temporada, mas continuou sendo a primeira opção de jogador a ser substituído.

O Tricolor nunca teve um esquema tático fixo nesta temporada - Ney Franco alternou seguidamente o 4-4-2 e o 4-3-3, formação que deu certo no ano passado. Quando a mudança era feita, geralmente Ganso era a peça escolhida para sair e dar lugar a algum atacante. Assim aconteceu no último jogo do São Paulo, contra o Corinthians, quando deixou o campo no intervalo da decisão para dar lugar ao atacante Aloísio.

Aos 23 anos, o jogador, que surgiu no Santos junto com Neymar e acabou sendo deixado para trás pelo ex-parceiro, torce para que comece uma nova fase em sua carreira. Com quase um ano de São Paulo, Ganso ainda não mostrou o que dele se esperava. E pode começar a fazer isso justamente contra o ex-time.

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