Mandel Ngan/AFP
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Trump anseia pelo retorno dos eventos esportivos com público

Presidente dos Estados Unidos defende a volta dos eventos esportivos ao vivo durante a pandemia do coronavírus

Bill Pennington, The New York Times

18 de maio de 2020 | 18h06

Em participação telefônica durante uma partida amistosa de golfe em nome da caridade e transmitida pela TV, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, defendeu entusiasmado o retorno dos eventos esportivos ao vivo durante a pandemia do coronavírus.

“Queremos o esporte de volta, sentimos saudades do esporte”, disse Trump. “Precisamos dele em termos da alma do país. E é isso que estamos fazendo.”

No domingo, mais ou menos na metade de uma partida envolvendo quatro dos maiores golfistas profissionais da atualidade — Rory McIlroy, Dustin Johnson, Rickie Fowler e Matthew Wolff — Trump elogiou a NBC por manter a realização do evento, e fez então um apelo por uma retomada mais robusta das atividades esportivas em geral.

Ainda que a partida amistosa de domingo tenha sido realizada sem público, o presidente disse esperar que os eventos futuros tenham um grande número de espectadores ao vivo.

“Queremos voltar ao que tínhamos antes, grandes estádios cheios de gente", disse Trump. “Não queremos 15 mil pessoas assistindo a uma partida entre Alabama e LSU, por exemplo.” Depois, Trump completou: “Queremos voltar ao normal, com o público se amontoando, sem preocupação".

Em entrevista concedida no fim de abril, Anthony S. Fauci, principal especialista em saúde pública da força-tarefa de combate ao coronavírus do governo Trump, disse que não se sentiria à vontade para voltar a um estádio até que o ritmo de infecção baixasse.

“Eu adoraria que os esportes voltassem", disse Fauci. “Mas, como autoridade de saúde, como médico e como cientista, tenho que dizer que, no momento, analisando a situação dos Estados Unidos, vemos que ainda não estamos prontos para isso.”

O circuito de golfe PGA Tour planeja ser o primeiro grande evento esportivo americano a ser retomado com a etapa Charles Schwab Classic, no dia 11 de junho, em Fort Worth, Texas. Uma longa agenda de torneios masculinos de golfe deve tomar a maior parte das semanas seguintes, incluindo a etapa PGA Championship em San Francisco, no início de agosto, o Aberto dos EUA, em meados de setembro, nos arredores de Nova York, e o Masters, disputado em novembro em Augusta, Geórgia.

“Quando chegar a época do Masters, queremos um grande público", disse Trump à NBC. “E, no momento, não é isso que estão planejando, mas nunca se sabe o que vai acontecer. As coisas podem mudar rapidamente. Vamos retomar tudo, e será rápido".

Não chegou a surpreender o fato de o presidente, ávido golfista, dono de campos de golfe e fã do esporte, ter sido incluído pela NBC na primeira transmissão de uma partida de golfe ao vivo em mais de três meses. As lideranças do golfe estão em contato com o presidente desde meados de março, e o comissário do PGA Tour, Jay Monahan, consultou Trump antes de suspender a temporada no dia 13 de março e cancelar um dos principais eventos do ano, o Players Championship.

Em dado momento, Trump foi indagado a respeito das partidas de golfe que disputa com jogadores profissionais, grupo que inclui McIlroy, com quem Trump jogou em 2017. Em entrevista recente ao podcast McKellar Golf, McIlroy disse ter aceito o convite para jogar com Trump por respeito ao cargo do presidente, mas dificilmente repetiria a dose.

“Posso dizer que gostei do dia que passei com ele, mas isso não significa que eu concorde com tudo que ele diz, ou mesmo qualquer coisa do que ele diz", disse McIlroy, que também criticou Trump pela “tentativa de politizar” a resposta à pandemia.

Fora dos campos, McIlroy, considerado o melhor do mundo, desempenhou nas temporadas mais recentes um papel informal de liderança entre os demais golfistas, grupo habitualmente conservador e cauteloso.

McIlroy acrescentou, “Não acho que um líder deve agir assim. É preciso mostrar certa diplomacia, e acho que ele não faz isso, especialmente na crise atual".

Mas Trump disse ter gostado do tempo que passou na companhia dos golfistas do PGA Tour.

“Alguns gostam muito de mim como político, e provavelmente alguns não gostam", disse o presidente. “Acho que vejo menos aqueles que não gostam.” / Tradução de Augusto Calil

 

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