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Reginaldo Leme
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Tudo novo, e o mesmo hino

Mudou tanta coisa na Fórmula 1, do formato dos carros ao barulho dos motores, mas o que se ouviu no pódio da Austrália continuou sendo o hino alemão. Depois das 91 vezes de Michael Schumacher e as 39 de Sebastian Vettel, entremeadas por uma dezena de Ralf Schumacher e três de Heinz-Harald Frentzen, considerando-se apenas as duas últimas décadas, a abertura do Mundial de 2014 viu, de novo, um alemão no alto do pódio. Nico Rosberg, pela quarta vez em três anos, fez soar o hino do país em que ele nasceu, e do qual adotou como única nacionalidade, embora seu pai, Keke Rosberg, seja um finlandês orgulhoso de ter sido o primeiro a dar um título mundial ao seu gelado país, de onde saíram mais dois campeões - Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h02

O domínio tranquilo de Rosberg, que cruzou a linha 25 segundos antes de todos, mostrou que a Mercedes foi a equipe que mais se preparou para esta nova fase da F-1. A enorme vantagem de Rosberg deixa até um receio de que o domínio exercido pela Red Bull nos quatro últimos campeonatos possa ter apenas mudado de box. Neste início de temporada, a Mercedes é o carro a ser batido. Mas, por ser o começo de uma nova era, a tendência é que o ano apresente variações na relação de forças entre as equipes. Sem contar a possibilidade de falhas em sistemas tão novos e pouco testados.

O exemplo mais claro disso é o que aconteceu com Lewis Hamilton, com carro idêntico ao de Rosberg, que largou na pole e não chegou à quinta volta porque a equipe avisou que o motor ia parar. De acordo com as novas regras, cada piloto tem direito a cinco motores no ano. Portanto, Hamilton não poderia se arriscar a perder um motor logo na primeira etapa.

Para deixar bem claro essa história de cinco motores, as novas normas chamam de "power unit" (o mais prudente é traduzir por unidade motriz) o conjunto composto pelo motor V6, mais o turbocompressor e os dois sistemas geradores de potência (MGU-K, o conhecido KERS, e MGU-H, o novíssimo ERS). Isso quer dizer que a quebra de um turbo, como aconteceu com Kobayashi nos treinos, só faz com que ele perca um dos cinco turbos a que tinha direito, mas mantém os cinco motores e os cinco KERS e ERS.

Os pilotos têm muito a aprender quando à forma de pilotagem e os engenheiros, mais ainda, para entender todas as unidades de potência. Basta ver o erro da Red Bull, que permitiu um fluxo de combustível superior a 100 quilos por hora no motor de Daniel Ricciardo, e acabou causando uma grande decepção do público. Jamais um piloto australiano havia conquistado um pódio correndo em casa. Também para ficar claro, a regra que limita o consumo de um carro a 100 kg de combustível (equivalente a 133,3 litros) durante a corrida vai além disso. Em nenhum momento o fluxo de alimentação de combustível do motor pode exceder os 100 kg/hora. Foi o que tirou o segundo lugar de Ricciardo e revoltou os australianos. Se houver menos público na corrida do ano que vem o motivo será este e não a "falta de barulho" de motor, que foi a reclamação feita por Ron Walker, diretor da empresa promotora do GP, diretamente a Bernie Ecclestone.

Domingo passado em Melbourne, este agora em Interlagos, onde a Stock Car inicia a temporada de uma forma inédita. Com uma corrida em duplas formadas pelo piloto que participa regularmente do campeonato e um convidado dele. Dos convidados, doze são estrangeiros, de oito nacionalidades diferentes. Isso deixa momentaneamente a Stock Car com dez pilotos que tiveram passagens pela F-1. Alguns deles, estreando na categoria, como Nelsinho Piquet (dupla com Átila Abreu), Lucas di Grassi (com Thiago Camilo) e Ricardo Rosset (com Luciano Burti).

Segundo Cacá Bueno, que recentemente esteve participando da pré-temporada do FIA GT na França, vários pilotos o procuraram interessados em participar dessa abertura da Stock. Entre os brasileiros estreantes, está Augusto Farfus Junior, vice-campeão da DTM alemã, que foi o melhor resultado de um piloto brasileiro no exterior em 2013.

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