Tudo pela Copa

Depois falam que é implicância com a alta cartolagem nacional e internacional. No sábado, tem festança no Rio para o sorteio dos grupos eliminatórios do Mundial de 2014. Para não atrapalhar a cerimônia com o ronco dos motores de avião, os organizadores conseguiram suspender o funcionamento do Aeroporto Santos Dumont por quatro horas, no período da tarde. Com isso, cerca de 50 voos serão deslocados para o Tom Jobim e azar de quem havia se programado para descer num ponto central. É só aperitivo: a Copa nem começou e já mexe com nossa rotina. Primeiro no bolso, com isenções e outros benefícios para construção de estádios e afins. Agora, na locomoção. Imagino daqui a três anos.

Antero Greco,

27 de julho de 2011 | 01h30

A reunião que simboliza o pontapé inicial da competição altera também as atividades dos clubes. Neymar foi intimado pela Fifa a dar o ar da graça na Marina da Glória e, dessa forma, precisará adequar seu cronograma de trabalho no Santos. O time treina pela manhã, porque no dia seguinte tem jogo pelo Brasileiro com o Atlético-PR em Curitiba. Muricy Ramalho não queria liberar o jogador, mas terá de engolir essa, porque, ora, onde já se viu, contrariar o poder?!

O treinador tem outro sapo a deglutir. O batráquio atende pelo nome de seleção brasileira. Neymar e Ganso estão na lista dos convocados para o amistoso com a Alemanha, no dia 10, em Stuttgart, apesar dos apelos para que fossem dispensados. Para essa data está agendado clássico com o Corinthians. A partida originalmente estava marcada para o dia 18 de junho, valia pela 5.ª rodada, mas foi transferida porque o Santos se empenhava na busca do título da Libertadores.

Muricy chiou com a perspectiva de desfalque e ninguém lhe deu bola - pelo menos por enquanto. Não só teve pedido ignorado, como precisou assimilar canelada diplomática de Mano Menezes. Vocês viram? Conto de novo. Na entrevista coletiva de anteontem, ao anunciar seus eleitos para o duelo com os alemães, o treinador da seleção abriu mão do estilo franciscano e mandou brasa. "Não vou pensar nos problemas dos outros. Ninguém resolve os meus." Com a permissão do formidável Milton Leite, só me resta acrescentar: "Que beleza!"

Então, assim que funcionam as coisas? A seleção acima dos clubes e estes que se arranjem? Não concordo. Não é por acaso que faz tempo escrevo que seleções são estorvo. Antes, convocação vinha precedida por ansiedade gostosa, todos ficavam à espera para conferir quantos jogadores do clube de coração seriam chamados. Um orgulho, sinal de prestígio. Agora, a torcida é para que nenhum seja lembrado, pois desfalcará o time em algum campeonato.

Dá raiva que só - ficam alegres os atletas, pois se sentem valorizados, e principalmente agentes, empresários, investidores, com a perspectiva de fazerem negócios lucrativos mais adiante. Por extensão, também o treinador da seleção, sobretudo se já sente as primeiras reações negativas a seu trabalho. Tivesse voltado da Argentina com o título, ou no mínimo com presença na final, Mano não daria resposta tão enviesada. Talvez até deixasse os rapazes em casa, em nome da política da boa vizinhança.

Mas, espera aí. Essa moeda tem outra face. Quando o Santos pediu o adiamento do jogo com o Corinthians, se dignou a conferir a folhinha? Alguém na Vila Belmiro questionou o porquê da brecha no meio da semana? Ninguém suspeitou de que pudesse ser data Fifa? Não se pode nem alegar que o amistoso foi confirmado em cima da hora. Desde agosto do ano passado estava no calendário. Dirigentes ignoram esses detalhes e, mais tarde, sobra para técnico e atletas.

Aliás, o Santos anda apagadinho desde a conquista do tri sul-americano. Não é bom isso. Precisa ligar-se, para chegar embalado para a disputa do Mundial de Clubes em dezembro.

Engata? Por falar em deslanchar: o Palmeiras visita o Figueirense, hoje, com a missão de vencer a primeira fora de casa. Até agora, tem sido visitante comportado: 3 empates e 2 derrotas. A torcida espera que o Palestra jogue mais e reclame menos. Caso contrário, daqui a pouco estará a patinar no meio da classificação geral.

Mais uma. A editora-chefe, Cida Damasco, convocou, o editor de Esportes, Gilson Vilhena, referendou, e cá estou eu a dialogar com você às quartas-feiras, como já acontece às segundas, sextas e domingos. É uma honra.

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