TV e audiência se rendem a Marta e Cia.

Chegou o dia. Maracanã lotado. No campo, nada de Ronaldinhos, Robinho, muito menos Roberto Carlos e sua meia esgarçada. Mas não faltaram ''''erres'''' ao gritar por gols de Marta - a melhor do mundo - para a alegria do amante da fonética Galvão Bueno. A cobertura da TV, em geral, se rende a elas. A audiência também. As meninas da seleção de futebol dominaram o Pan na telinha. Poucos minutos no ar e ''''pênalti'''', grita Galvão, na Globo. ''''Não, não se abracem ainda'''', pede o narrador, temendo que a rede não balance e a partida volte no tempo três anos, quando perdemos para os EUA em Atenas. Mas Galvão se engana e o Brasil abre o placar. Na Record, na Band e nos canais pagos, o frenesi do blábláblá toma conta da turma do microfone. ''''Já não tô me agüentando'''', avisa Luciano do Valle, na Band, assustando o telespectador.Basta o segundo gol pintar, assim, rapidinho, para que a turma do ''''Eu disse'''' proclamar o vencedor. Mais um pênalti, outro gol e Luciano do Valle - hoje superando Galvão em pérolas - descobre uma jogadora com poderes de dar inveja a qualquer super-homem. ''''Ela vai usar sua visão periférica fantástica para fazer o gol, é aquela visão que só ela tem.'''' E não é que o gol saiu?Já chutando cachorro morto e enterrado, Galvão, Luciano e Cia. começam a evocar as mil e uma qualidades das brasileiras em cima das americanas. Sem querer ser chata, já sendo, em nenhum momento a TV falou que o time dos EUA não era o que nos tirou o ouro em 2004. Por ufanismo, por falta de senso crítico. A ordem do dia era torcer. Torcer e mostrar a torcida, animada, às vezes sem noção - pobres dos que não sabem como é duro tirar guache verde do rosto -, e brasileira, ''''com muito orgulho, com muito amor''''...

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