Daniel Ramalho/Divulgação
Daniel Ramalho/Divulgação

Twitter torna-se fonte de polêmicas olímpicas

Mensagens do site levaram à eliminação de dois atletas, motivaram a prisão de um torcedor e, segundo o COI, atrapalharam até os comentaristas de uma prova de ciclismo

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 13h20

Ele já eliminou dois atletas dos Jogos de Londres, motivou a prisão de um torcedor e, segundo o COI, atrapalhou até os comentaristas de uma prova de ciclismo. Com mensagens limitadas a 140 caracteres, o Twitter está no pódio das fontes de polêmicas na Olimpíada 2012.

No Brasil, a judoca Rafaela Silva, após ser desclassificada por um golpe irregular, atacou a usuários da rede. "Cala a boca imbecil", escreveu, entre outras ofensas. Nesta terça-feira, a técnica Rosicleia Campos afirmou, mostrando a mensagem em um celular, que o descontrole foi motivado por Rafaela, que é negra, ter sido chamada de "macaca" no Twitter.

Na Inglaterra, um comentário supostamente ofensivo de um jovem de 17 anos a um competidor resultou na detenção do rapaz. "Você decepcionou o seu pai, espero que você saiba isso", publicou o jovem, em mensagem ao saltador inglês Tom Daley, que perdera a chance de medalha. Fonte de inspiração para o saltador, o pai de Daley morreu de câncer em 2011.

Não são só desavenças entre os atletas e público que tornam o Twitter foco nos Jogos.

No sábado, durante a prova de ciclismo de estrada, comentaristas esportivos não tiveram acesso a informações em tempo real da posição dos participantes porque, entupidos pelas mensagens, os satélites não conseguiam transmitir a posição dos ciclistas.

Por isso, segundo a agência de notícias Reuters, o Comitê Olímpico Internacional pediu moderação nos tuítes e nas mensagens via celular dos espectadores durante provas. Mas, em um dos sites oficiais dos Jogos, o próprio COI incentiva a interação via internet entre competidores e público. O Athletes Hub reúne os perfis em redes sociais das estrelas e até promoveu entrevistas via Twitter com os principais nomes em Londres.

Londres não é a primeira Olimpíada divulgada, criticada e vigiada via Twitter - o site foi fundado em 2007. Mas a relevância do Twitter hoje torna pálida a experiência dos Jogos de Pequim. Em 2008, segundo o site, eram publicadas 300 mil mensagens por dia em média; atualmente, são mais de 50 milhões.

RACISMO

Por causa de um escorregão na rede social, a saltadora grega Voula Paraskevi Papachristou foi cortada da sua equipe antes mesmo dos Jogos. Papachristou escreveu que, por causa da presença de africanos na Grécia, os mosquitos do Nilo poderiam comer comida caseira. Papachristou pediu desculpas, mas o Comitê Olímpico da Grécia ressaltou a falta de "respeito por um valor olímpico básico" para tirar a grega de Londres.

Outro acusação de racismo via rede social tirou Michel Morganella, jogador de futebol suíço, da competição. O jogador chamou os sul-coreanos de "atrasados mentais" depois que sua equipe perdeu para o time asiático.

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