Tyson ainda vale milhões de dólares

Duas prisões, uma por estupro e outra por agressão no trânsito, e uma série de punições dentro do ringue, que lhe valeu a cassação por um ano da licença de pugilista no Estado de Nevada. A vida do boxeador norte-americano Mike Tyson não é um exemplo de equilíbrio ou de tranqüilidade, mas seu carisma o transformou em um dos "eventos" mais rentáveis do esporte mundial. Suas lutas ganharam dimensões imensas. O empresário Don King, que cuidou da carreira do "Iron Man" entre 1988 e 1997, chegou a ter um faturamento líquido de US$ 300 milhões no segundo duelo com Evander Holyfield, em 1997, quando Tyson mordeu e arrancou um pedaço da orelha do adversário. O canal Showtime, que tem os direitos de transmissão dos combates de Tyson para o mundo, cobra US$ 1 milhão pelo evento. Mais de 80 países adquiriram esse direito. Nos Estados Unidos, Canadá, Brasil, México e Porto Rico, o evento será apresentado pelo sistema pay-per-view. Em média - no Brasil, R$ 40 - uma assinatura custa US$ 40. Os diretores do canal esperam a venda de 400 mil pontos, o que garantiria arrecadação de US$ 16 milhões. Tyson tem direito a 20% desse valor (US$ 3,2 milhões). A bolsa de Tyson também é a maior do boxe atual. Os US$ 10 milhões para encarar o gorducho Brian Nielsen, neste sábado, em Copenhague, ficam longe dos US$ 30 milhões recebidos para duelar com Holyfield. Mas são muito superiores aos valores recebidos por outros campeões do momento, como Oscar de la Hoya, Roy Jones Jr. e Shane Mosley, que ficam felizes quando as cifras alcançam US$ 3 milhões ou US$ 4 milhões. Jay Larkin, um dos diretores da Showtime, chegou a ir até a casa de Tyson no início do ano, quando o ex-campeão pensou em abandonar a carreira. "Eles (Showtime) não deixaram que eu pendurasse as luvas", afirmou o boxeador de 35 anos com um sorriso maroto.O canal vislumbra uma nova luta de Tyson pelo título mundial. "Com ele (Tyson) no evento, podemos negociar os preços dos patrocinadores em um nível bem maior", disse Larkin. "A bolsa, com certeza, será a maior da história do boxe. Os lutadores poderão dividir US$ 100 milhões."A Showtime não confirma, mas se sabe que um comercial durante um futuro combate pelo título será negociado por US$ 1,5 milhão. Espera-se que o recorde de vendas no pay-per-view - 1,5 milhão de Tyson e Holyfield - seja quebrado. Mas os dividendos de Tyson também podem ser somados com a venda de produtos com seu nome. A empresa Tyson - que produz camisetas, bonés, casacos de couro e posteres - propicia ao ex-campeão mundial dos pesados renda mensal de US$ 200 mil.O combate: Para a luta deste sábado, 47 mil ingressos foram vendidos no Parken Stadium. O bilhete mais barato custa US$ 125 e o mais caro, US$ 325. Só na bilheteria do estádio os organizadores esperam somar US$ 10 milhões. "Tyson é garantia de espetáculo. Muitos o odeiam, mas não resistem em vê-lo em ação", disse Larkin. Na semana passada, foi cancelado o duelo entre John Ruiz, campeão dos pesados, versão Associação Mundial de Boxe, e o norte-americano Evander Holyfield, programado para Pequim, na China. O motivo apresentado pelo empresário Don King foi o medo por causa dos atentados sofridos pelos Estados Unidos. Na verdade, a procura pelo evento foi mínima. Menos de dez mil ingressos foram vendidos.Essa é a terceira luta de Tyson na Europa. No ano passado, lutou na Inglaterra, quando derrotou Julius Francis, e na Escócia, vencendo o ítalo-americano Lou Savarese. Além do convite dinamarquês, houve interesse de Alemanha, França, Finlândia e Espanha. O Japão, onde Tyson lutou duas vezes, também apresentou propostas. "A categoria dos pesados ficará órfão quando Mike se aposentar", disse o empresário Shelly Finkel, que organiza a carreira do ex-campeão desde 1998.Noitada A luta deste sábado entre Mike Tyson e Brian Nielsen está programada para começar às 20h Brasília (1 hora da madrugada em Copenhague). Os combates preliminares começam quatro horas antes, com destaque oara os veteranos Tim Whitherspoon e Ray Mercer, ex-campeões mundiais dos pesados.

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