UE propõe fim a troca de ameaças de boicote com a China

A China deveria deixar clara suaoposição aos boicotes a produtos europeus, disse naquinta-feira o comissário de Comércio da União Européia, PeterMandelson, acrescentando que as ameaças mundiais de boicote àOlimpíada de Pequim também podem causar ressentimentos. Muitos chineses estão decididos a boicotar as empresaseuropéias, especialmente a rede francesa de supermercadosCarrefour, por causa das manifestações contra o regime chinêsocorridas neste mês na passagem da tocha olímpica por Paris. Além disso, o Parlamento Europeu pediu aos líderes da UEque boicotem a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, emagosto, caso a China mantenha sua recusa em dialogar com oDalai Lama, líder espiritual tibetano no exílio. Mas Mandelson, falando em Tóquio pouco antes de embarcarpara Pequim, disse que as ameaças de boicotes mútuos apenas"aprofundam diferenças, criam enormes ressentimentos e tornam odiálogo muito mais difícil." "Eu gostaria que o governo chinês deixasse clara novamentesua reprovação a essas propostas de boicote, porque elas nãovão ajudar a resolver as questões econômicas e comerciais entrenós." Nos últimos dias, funcionários do ministério chinês doComércio citam com entusiasmo a grande presença do Carrefour naChina, mas sem críticas explícitas à idéia do boicote. Uma delegação da UE, chefiada pelo presidente da ComissãoEuropéia (Poder Executivo), José Manuel Barroso, chega nasexta-feira em Pequim para reuniões destinadas a promover asrelações bilaterais e discutir políticas climáticas. Da parte de Mandelson, a atividade mais importante será oinício de um processo regular de negociações para reduzir odesconforto provocado na UE pelo grande superávit comercialchinês. Mas os cuidadosos preparativos diplomáticos foram ofuscadospelos distúrbios de março contra o regime chinês no Tibet earredores, o que provocou os protestos nas cerimônias olímpicasde Londres e Paris, desencadeando, por sua vez, manifestaçõesnacionalistas dos chineses. A comissária européia de Relações Exteriores, BenitaFerrero-Waldner, disse a jornalistas em Tóquio que o Tibet seráum dos assuntos tratados por ela em Pequim, junto com questõesambientais. "É claro que entendemos as sensibilidades sobre a soberaniada China. Mas acho que é justo pedir respeito à culturatibetana, e também às suas tradições", afirmou ela, insistindono diálogo entre Pequim e o Dalai Lama. "Portanto, nossa mensagem ao governo chinês será para queparticipe de um diálogo construtivo e substancial, que tratedas principais questões." Jiang Yu, porta-voz da chancelaria chinesa, reagiu ementrevista coletiva dizendo que o Tibet é um assunto interno daChina. No fim de semana, milhares de chineses saíram às ruas emvárias cidades para defender um boicote às empresas francesas,especialmente ao Carrefour. José-Luis Durán, diretor da rede de supermercados, negouque o Carrefour dê apoio ao Dalai Lama, acusado por Pequim depromover os distúrbios no Tibet para atrapalhar a Olimpíada --o que o líder budista nega. Aparentemente alarmadas com a onda de nacionalismoexacerbado, as autoridades e a imprensa chinesas pedem aoscidadãos que demonstrem seu patriotismo de forma racional elegal. Mandelson disse que a necessidade de moderação se aplica aambas as partes. "Não podemos propor boicotes olímpicos naEuropa e então nos surpreender de que haja propostas paraboicotes a produtos europeus na China", afirmou. (Reportagem adicional de Lindsay Beck, em Pequim, e YokoKubota, em Tóquio)

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