AO VIVO

Confira tudo sobre a Copa do Mundo da Rússia 24 horas por dia

Último set

Bebeto de Freitas é símbolo do esporte brasileiro. A morte veio para eternizar o mito

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 05h00

A morte é implacável, esconjurada, põe medo, pois irreversível. Escolhe este mais cedo, aquele mais tarde e não livra ninguém. Mas não age por “maldade”. Trata-se apenas de uma das sequências imutáveis da natureza. Choca quem fica, a depender da forma como se apresenta. Fecha um ciclo.

A morte muitas vezes chega de maneira abrupta, sem aviso prévio, sem mandar recado. Bate à porta, entra sem autorização e cumpre seu papel. Dias atrás, provocou comoção popular na Itália por ter levado Davide Astori, 31 anos, capitão da Fiorentina, jogador no auge da forma. Foi-se durante o sono. 

Desta vez a Velha Senhora, visitou Bebeto de Freitas. Ex-atleta, treinador, ultimamente dirigente. Já maduro, 68 anos completados em janeiro. Veio em meio a expediente no Atlético Mineiro, após apresentação pública. Ela teve a delicadeza de lhe prestar a honraria de ser colhido enquanto atuava no esporte, paixão da vida toda. 

É, a morte foi gentil em sua contradição definitiva. Injusto seria levá-lo depois de longa enfermidade, como é tão frequente. Bebeto não era homem para ficar entrevado numa cama, não merecia padecer num hospital, não podia passar para outro plano no esquecimento, na sombra de uma aposentadoria compulsória. Daí seria triste.

Bebeto brilhou, dentro e fora das quadras. Portanto, natural, correto, respeitoso e coerente ter enfrentado o rito de passagem em movimento, a tocar planos para o Galo. Não era de ficar parado, ali, à espera do Inevitável. A morte não significou derrota nem o “descanso eterno”; veio como troféu, como atestado de alguém que ainda era útil ao Esporte. Abreviou, para engrandecê-lo, para reforçar o mito.

Bebeto é um ícone do esporte brasileiro – e mundial. Personagem de peso, primeiro como jogador de vôlei. Depois, como técnico, artífice da geração de prata do Brasil, com as medalhas olímpicas dos anos 80. Foi um dos responsáveis por tornar o vôlei o segundo esporte nacional. Abriu a trilha que desembocou, mais tarde, nos ouros olímpicos e pan-americanos sob a guia de Zé Roberto Guimarães e Bernardinho. 

Teve nome inscrito na história do vôlei da Itália, ao conduzir a Azzurra masculina a título mundial na década de 90. Não é coisa de pequena monta. O estilo vibrante, o temperamento apaixonado estimulavam, empurravam equipes. Poderiam eventualmente gerar atritos; superados pelo caráter, pela transparência nas atitudes.

Bebeto deixou o vôlei e aventurou-se na cartolagem do futebol. O desafio foi recolocar o Botafogo nos trilhos. Tarefa complicada, com altos e baixos nos dois mandatos, com time na Série B, caixa vazio e moral arrasada. A experiência o desgastou, mas representou novidade num meio encarquilhado. Tinha estofo e cacife para voos mais altos, barrados por estrutura difícil de romper. Saiu com sensação de que poderia ter feito mais. Reencontrou-se no Atlético Mineiro. 

O último set chegou para Bebeto. Ele o venceu e ganha, como recompensa, lugar no Olimpo do Esporte.

CARA NOVA

Diego Aguirre aparece como o enésimo técnico, na última década, com a missão de dar um jeito no São Paulo. Desembarcou no Morumbi cercado de carinho e apoio de seus ex-companheiros e agora chefes Raí, Lugano, Ricardo Rocha. Tinha a preferência dos ex-boleiros e cartolas neófitos para substituir Dorival Júnior. Traz na bagagem passagem interessante pelo Inter e apenas razoável pelo Atlético-MG. 

O elenco à disposição não é nenhuma maravilha, embora tenha jogadores em condições de fazer com que o clube não passe perrengue como em 2017, ano em que a Série B se mostrou ameaça real. E o Brasileiro será o grande termômetro dessa nova tentativa tricolor de se reaprumar. 

Mais conteúdo sobre:
Davide Astori vôlei Bebeto de Freitas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.