Ultramaratonista quer ser valorizado

Uma eterna maratona. Esta é a rotina de Valmir Nunes, que venceu a Soochow University Endurance Race, tradicional corrida no continente asiático, domingo, em Taiwan, na China, conquistando o novo recorde das Américas em desafios de 24 horas. O ultramaratonista derrotou o cansaço e o frio, completando 685 voltas no circuito de 400 metros, totalizando 273 km. Não bastasse o desgaste pela prova, o atleta de 38 anos enfrentou 32 horas de vôo para retornar ao Brasil, e até terça-feira tem a agenda lotada para conceder entrevistas e receber homenagens. "Tudo isso é válido, pois quando se atinge um objetivo, a sensação é muito gratificante", conta. Para conquistar a prova em Taiwan, válida pelo Campeonato Asiático de 24 horas, Valmir superou o japonês Ryoichi Sekiya, um dos principais corredores da Ásia e antigo rival em disputas internacionais. "O ponto crítico foi quando chegamos a 19 horas de prova. Nesse ponto, as dores musculares são quase insuportáveis e o organismo sente o desgaste. É preciso muito preparo e concentração para não perder o ritmo", comenta. Quando completou o desafio, depois de correr sob temperaturas que chegaram a dois graus, o atleta só tinha um pensamento: a família. "Lembrei de minha esposa, Kelly, e minha filha, Natasha, que sempre estão ao meu lado nos momentos difíceis". Em 21 anos de carreira, Valmir contabiliza mais de 30 conquistas internacionais, das quais se destacam o Spartathlon, na Grécia, e o bicampeonato mundial de 100 Km. Mas até chegar à vitória em Taiwan, o ultramaratonista teve de superar dois insucessos sofridos ano passado: as desistências, por problemas físicos, em maratonas na Grécia e Estados Unidos. "Fiquei cinco dias sem treinar, mas sabia que não podia desistir. Felizmente, valeu o esforço e acho que posso melhorar minha marca até o final do ano". Valmir foi homenageado nesta quinta-feira, em Santos, sua cidade natal, com um desfile em carro de corpo de bombeiros. "Sou bastante conhecido no Exterior, mas para mim, ser valorizado no Brasil é muito mais importante", disse.

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