Um amistoso com muita coisa em jogo

Tanto brasileiros quanto franceses querem apagar a lembrança deletéria do Mundial de 2010 [br]na África do Sul

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2011 | 00h00

Brasil e França se enfrentam nesta quarta-feira no Stade de France. Partida amistosa, mas com muita coisa em jogo: as duas seleções têm uma tarefa parecida. Tanto brasileiros quanto franceses querem apagar a lembrança deletéria do Mundial de 2010 na África do Sul, os brasileiros porque foram eliminados nas quartas de final, os franceses porque se cobriram de vergonha, juntando a sua nulidade esportiva, a arrogância, a grosseria e a estupidez - greve dos jogadores, etc...

O Brasil curou-se confiando sua seleção a Mano Menezes para fazê-lo esquecer Dunga. A França sacrificou seu desastroso Raymond Domenech e chamou o consciencioso e polido Laurent Blanc. Mas ela também mudou de camisa. Sua fornecedora, a alemã Adidas, parceira dos "bleus" desde 1972, cedeu lugar à americana Nike. A nova camisa é muito bonita e a divisa proclamada pela Nike, encorajadora: "Os dias de glória voltaram". De mais a mais, o galo gaulês recupera seu lugar na camisa. Pobres brasileiros! Mal sabem o que os espera.

O cantor brasileiro estabelecido na Franca Márcio Faraco diz: "Os brasileiros trazem a alegria, os belos gestos, o imprevisto, a festa. Isso me lembra minha infância, Quando voltava de um jogo com meu irmão, meu pai nos perguntava: "Ganharam?". E nós respondíamos: "Não. Mas demos aqueles dribles!".

A França é uma terra predestinada para jogadores brasileiros. A Primeira Divisão francesa abriga hoje 21 jogadores brasileiros. O jornal Le Figaro teve a ideia de fazer uma classificação dos brasileiros que jogam ou jogaram na França nos últimos anos.

Com 70 pontos, Raí, o irmão caçula de Sócrates, ficou em primeiro. Ele fez história no Paris Saint-Germain. Foi escolhido "jogador do século do PSG". Qualificativos que lhe são atribuídos: inteligência, beleza, elegância, técnica e carisma.

Juninho Pernambucano chegou perto (69 pontos). Ele entrou no Olympique de Lyon em 2001. Em Lyon, ele marcou 100 gols em 344 partidas, 44 deles de pênalti. "Talvez o melhor chutador de bola parada do mundo", extasia-se o francês Lizarazu. Em terceiro lugar, com 66 pontos, Sonny Anderson. Ele também entrou no Lyon em 2002. Hoje é o treinador de atacantes lioneses. O quarto é Ricardo Gomes (40 pontos), que jogou em Paris, no PSG, em 1991. "Um defensor à moda antiga com segurança no lançamento e um bom sentido de colocação", diz Yoan Gourcuff, jogador do Lyon.

Por fim, na quinta posição, Ronaldinho, que jogou no PSG. "Um talento extraordinário desperdiçado", diz Gourcuff. Um jogador entre gênio e desenvoltura. E acrescenta: "Apesar de seus altos e baixos, ele pertence à tradição dos grandes jogadores brasileiros do passado. Seu toque de bola mágico marcou os espíritos."

Em baixa. Como vão terminar esses reencontros entre o futebol francês e o futebol brasileiro? Em fevereiro de 2008, os franceses estavam em segundo na classificação mundial da Fifa. Depois, veio a África do Sul e a vergonha dos jogadores de Domenech. Hoje, na classificação da Fifa, a França ocupa o 19.º lugar, atrás do Japão e da Eslovênia. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.