Thembani Makhubele/Reuters
Thembani Makhubele/Reuters

Um ano após morte, Oscar Pistorius homenageia ex-namorada

O sul-africano afirma que segue sofrendo por causa da perda da pessoa

Agência Estado

14 de fevereiro de 2014 | 10h01

JOHANNESBURGO - Exatamente um ano depois de ter matado a tiros a modelo Reeva Steenkamp, dentro da sua própria casa, em Pretória, na África do Sul, o astro paralímpico Oscar Pistorius resolveu romper o silêncio nesta sexta-feira, quando postou em seu site oficial um tributo à ex-namorada. O sul-africano, que responde em liberdade à acusação de assassinato premeditado e começará a ser julgado no início do próximo mês, afirmou que segue sofrendo por causa da perda da pessoa que ele alega ter tirado a vida de forma acidental.

"Nenhuma palavra pode descrever adequadamente meus sentimentos sobre o devastador acidente que causou tanta dor de cabeça a todos que verdadeiramente amam e continuam amando a Reeva", escreveu Pistorius, que no ano passado declarou ao tribunal de Pretória que confundiu a modelo com um possível ladrão em sua residência, pouco antes do amanhecer do Valentine''s Day, o Dia dos Namorados, comemorado em 14 de fevereiro nos países do hemisfério norte do planeta.

Pistorius, de 27 anos, que é biamputado e fez história correndo com próteses no lugar das duas pernas, efetuou disparos com uma arma de fogo contra a porta do banheiro da suíte do casal, atingindo Reeva, que estava dentro do local. Ele é acusado pelos promotores do caso de ter premeditado o assassinato da sua então namorada, na época com 29 anos de idade, após uma discussão.

A estrela sul-africana, porém, assegura que segue sofrendo muito com a morte da sua ex-namorada. "A dor e a tristeza, particularmente para os pais, familiares e amigos de Reeva, me consomem com dor. A perda de Reeva e o trauma total depois daquele dia será algo que carregarei comigo pelo resto da minha vida", completou Pistorius.

Embora tenham sido publicadas um ano após a morte da modelo, as declarações de Pistorius foram consideradas inusitadas, pois o seu tio, Arnold, havia sido encarregado anteriormente de se pronunciar em nome do atleta, que vem sendo blindado por familiares contra o assédio da imprensa neste caso que provocou comoção mundial no esporte.

A mãe de Steenkamp, June, pretende acompanhar de perto o julgamento de Pistorius, marcado para começar no próximo dia 3 em Pretória. Nenhum familiar da modelo marcou presença nas audiências anteriores do atleta no tribunal, que inicialmente julgou o pedido de liberdade mediante o pagamento de fiança, concedida em 22 de fevereiro do ano passado. Além de correr o risco de ser condenado por suposto assassinato premeditado, ele enfrenta outras acusações por causa da posse de armas de fogo.

Se for considerado culpado por homicídio intencional da sua ex-namorada, Pistorius pode pegar até prisão perpétua, com uma pena mínima de 25 anos de reclusão antes de obter a liberdade condicional.

Considerado um ícone do esporte, Pistorius fez história ao se tornar o primeiro biamputado a disputar uma edição da Olimpíada, em 2012. Correndo com protestes nas duas pernas, ele representou o seu país nas provas dos 400 metros e do revezamento 4x400 metros dos Jogos Olímpicos de Londres. E, em três participações em Jogos Paralímpicos, conquistou oito medalhas, sendo seis delas de ouro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.