Um ano depois, o Brasil de Magnano

Técnico argentino tem viajado todo o país para observar o basquete que se joga por aqui, de olho na renovação

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Rubén Magnano completa hoje um ano à frente da seleção masculina de basquete. Dirigiu a equipe no Mundial de 2010 - onde conseguiu o 9.º lugar - e, desde que voltou da Turquia, empreendeu viagens que poucos brasileiros já tiveram a oportunidade de realizar.

Responsável também por coordenar o trabalho de base, o argentino tem encarado quilômetros de estrada para saber, afinal, que tipo de basquete se joga por aqui. Para isso, não poupou esforços - muito embora pudesse ficar, no conforto da capital paulista, onde vive, analisando DVDs e relatórios.

De outubro a dezembro, Magnano esteve tanto no Rio Grande do Sul quanto no Acre, passando por Goiás e Minas Gerais. Viu competições nacionais, estaduais, escolares, com garotos das mais diferentes idades. Isso sem contar, claro, as partidas dos torneios adultos, como o NBB.

"(Nestas viagens) Encontrei muita coisa. Primeiro, queria conhecer os diferentes campeonatos das diferentes categorias, para ter uma visão mais clara do que está acontecendo", explica o técnico, campeão olímpico com a Argentina em Atenas/2004, que fez questão de valorizar a experiência pessoal, a ponto de se esforçar no português. "Pude bater um papo com dirigentes, presidentes, técnicos. Acredito que não pude fazer tudo que queria, porque o Brasil é muito grande. Mas assisti a muitos torneios e é possível fazer uma avaliação."

Uma delas, para o pesar de uma nação olímpica, não é animadora. "Proporcionalmente, teria que ser maior a quantidade de meninos que jogam basquete. Isso, claro, de acordo com o tamanho, a população do Brasil." E alerta: "Uma coisa que está bastante descuidada, ou pouco considerada, é o mini-basquete. Estou falando de meninos de 8, 9, 10 anos, que precisam fazer alguma movimentação, ter contato com o basquete, não sei se por meio das escolas ou dos clubes."

No País em que a formação de talentos é dada quase que exclusivamente pelos clubes, Magnano encontrou uma realidade diferente em Rio Branco, capital do Acre, onde esteve no fim de outubro para acompanhar a 2.ª Divisão do Brasileiro sub-17 de seleções. "Lá, o basquete é guiado pelas escolas. Não há clubes. Esta é a realidade e precisamos dar condições para que o basquete chegue à região." O argentino sabe que empreendeu uma viagem pouco usual no Brasil. "E foi uma experiência muito legal. Fui a um lugar que as pessoas não conhecem, não viajam. E isso me permitiu falar agora, de pronto, o que acontece naquela região."

Incansável, Magnano já tem outras paradas. Em fevereiro, muda para São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas, onde será instalada a seleção masculina de desenvolvimento . Depois, deve passar o mês de março entre EUA e Europa, conversando com os atletas que atuam nas principais ligas e, também, nas universidades americanas. "É importante que eles sintam que a CBB está presente." Pelo visto, enquanto Magnano for mantido no comando, onde um jogador brasileiro de basquete estiver, o técnico argentino também estará.

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