Um ano para o trio de ferro esquecer

Corinthians, Palmeiras e São Paulo frustram seus torcedores com resultados ruins e nenhum título e refazem planejamento para 2011

Valéria Zukeran, Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

O futebol paulista está no divã. Depois de reinarem absolutos no Campeonato Brasileiro entre 2004 e 2008, com três conquistas do São Paulo (2006, 2007 e 2008), uma do Santos (2004) e outra do Corinthians (2005), os clubes paulistas deixaram o topo do pódio e tiveram de aplaudir o ressurgimento do futebol carioca, com Flamengo (2009) e o Fluminense neste ano. Em 2010, exceção feita ao Santos, que compensou a discreta campanha no Nacional (8.º lugar) com um primeiro semestre espetacular, no qual venceu o Paulista e a Copa do Brasil, Corinthians, São Paulo e Palmeiras "colecionaram" decepções.

A maior expectativa, sem dúvida, estava sobre o time do Parque São Jorge. Os corintianos lutaram o ano todo contra a maldição do centenário. Em vão. Assim como outros grandes clubes, viram o ano de seu 100.º aniversário passar sem que nenhum novo troféu do futebol fosse integrado a seu memorial.

No clube, o discurso dos dirigentes e jogadores mostra que todos reconhecem a falta de títulos na temporada como um problema. Fazem, porém, questão de minimizar a questão ao apontar conquistas fora do campo. "Infelizmente não conseguimos esse título (do Brasileiro). Mas o Corinthians mostrou grande evolução no seu departamento de futebol. Agora temos um CT de primeiro mundo", lembrou o volante Elias, que vai defender o Atlético de Madrid em 2011.

Além do Centro de Treinamento, a direção corintiana não esconde a satisfação por ter fechado acordo para a construção do sonhado estádio, que será erguido em Itaquera. "E o centenário só termina no ano que vem", costuma dizer o presidente Andrés Sanchez, utilizando-se de discurso comumente usado por seus diretores no Parque São Jorge.

Para acabar com a frustração da torcida, a diretoria se movimenta para montar o time de 2011 e planeja contratações de impacto. Uma delas é a do atacante Adriano, atualmente na Roma, da Itália. A negociação, porém, caminha aos trancos e barrancos. De um lado, Ronaldo e alguns diretores mantiveram contato com o Imperador e se dizem animados. Do outro, o agente do atleta, Gilmar Rinaldi, desmente. "Oficialmente a situação está na estaca zero", disse. "Ninguém falou comigo. As pessoas vão direto nele (Adriano). Estão tentando me atropelar."

Desilusão. Para o torcedor do Palmeiras, 2010 foi o prolongamento do drama vivido na temporada anterior. Depois de verem o time sofrer uma queda vertiginosa no fim do ano passado, que resultou na perda do título e da vaga na Taça Libertadores, o palmeirense voltou a ter sua paciência testada. Nem mesmo a passagem dos três treinadores mais badalados do futebol brasileiro (Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e, agora, Luiz Felipe Scolari) deu jeito no time.

A estratégia de contratar os principais ídolos da torcida não deu certo. Mesmo com o meia Valdivia e o atacante Kleber sob o comando de Felipão, o time ficou mais uma vez fora da Libertadores. Terminou o Brasileiro em décimo e sofreu uma dolorosa derrota para o Goiás, na semifinal da Sul-Americana, daquelas que entram para a história.

Nos bastidores, o alardeado projeto da Arena Palestra, que segundo as previsões iniciais já deveria ter começado, segue enrolado em meio a ações na Justiça e burocracia.

E a perspectiva para 2011 é sombria. Além das dificuldades financeiras, agravadas pelo fato de o clube não contar com a receita da Libertadores, um processo eleitoral vai agitar o Palestra Itália em janeiro. Salvador Hugo Palaia, Paulo Nobre e Arnaldo Tirone concorrem à sucessão de Luiz Gonzaga Belluzzo.

Humildade. O São Paulo terá um 2011 mais humilde. Acostumado com o glamour do tricampeonato brasileiro consecutivo e das decisões da Libertadores (disputou as últimas sete edições) e do Mundial de Clubes, o Tricolor está de volta à Copa do Brasil e à Sul-Americana. Como se não bastasse o desempenho aquém do esperado da equipe, torcedores e dirigentes ainda tiveram de amargar a exclusão do Morumbi da Copa do Mundo de 2014. Para piorar, todos os indícios apontam que o posto será ocupado pelo estádio corintiano.

O técnico Paulo César Carpegiani definiu a estratégia para recolocar o time no rumo das vitórias. Em 2011, o clube fará contratações "cirúrgicas" de jogadores experientes e vai misturá-los com jovens talentos que voltam de empréstimo.

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