Um apelido que virou sinônimo de sucesso

Pessoas de destaque em diversos ramos de atividade passaram a ser os 'Pelés'. Surgiu o Pelé da economia, da propaganda, etc...

WILSON BALDINI JR., O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

Ser um aluno exemplar na escola sempre valeu a nota 10 no boletim. No futebol, a camisa 10 só se transformou no uniforme preferido dos craques depois da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando o garoto Pelé, então com 17 anos, fez seis gols e comandou a seleção brasileira na primeira conquista mundial. Depois dele, surgiram Rivellino, Zico, Maradona, Kempes, Zidane, Platini e tantos outros. O apelido Pelé, depois de inúmeros títulos e partidas sensacionais e inesquecíveis por Santos e seleção brasileira, virou sinônimo de sucesso. No futebol, nunca mais surgiu outro Pelé. Para muitos, nunca surgirá. Mas todos os ramos de atividade fizeram questão de eleger o seu "Pelé".

Washington Olivetto, para muitos o "Pelé da Propaganda", afirmou em entrevista ao SporTV: "Pelé é o Pelé dos Pelés." Ou seja: foi por intermédio do maior jogador de futebol de todos os tempos que se criou um termo para se dizer que um sujeito é o melhor naquilo que faz.

Nas mais variadas modalidades esportivas muitos "pelés" apareceram. No basquete, temos pelo menos dois: Oscar, o "Mão Santa", e Michael Jordan, o astro do time do Chicago Bulls e dos Estados Unidos.

No vôlei, Karch Kiraly, tricampeão olímpico em 1984, 1988 e 1996 (na praia) ostenta o título de Pelé. No judô, o japonês Yasuhiro Yamashita, campeão olímpico em 1988, virou o "Pelé do tatame". Assim como o brasileiro Ademir da Costa ficou conhecido como o "Pelé do caratê" nos anos 80, após realizar o teste das 100 lutas consecutivas.

Pelé surgiu quando o garoto Edson Arantes do Nascimento, aos 4 anos, jogava bola com seus amigos. Na época, ele atuava no gol - talento que só seria reconhecido anos depois, quando já atuava como atleta profissional - e gritava a cada defesa: "Segura Bilé, defende Bilé". Homenagem ao goleiro do Vasco de São Lourenço-MG, time que seu pai defendia antes de ser contratado pelo Bauru Atlético Clube - do interior paulista.

Bilé. Como os companheiros não entendiam quem era "Bilé", passaram a chamá-lo de Pelé, apelido que o Rei de início detestou - e, assim, acabou incentivando os colegas a seguirem com a gozação. Dona Celeste e seu Dondinho que deram ao filho o nome de "Edson" como uma homenagem a Thomas Edison (1847 a 1931) jamais imaginaram em 1940 que o garoto brilharia muito mais do que o inventor 70 anos depois.

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