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Um brasileiro na elite do golfe

Alexandre Rocha, de 33 anos, é apenas o 2.º do País a participar de uma temporada inteira do PGA Tour

MILTON PAZZI JR., O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Alexandre Rocha realiza nesta quinta-feira um sonho: a disputa de uma temporada completa do prestigiado PGA Tour (sigla para Associação dos Golfistas Profissionais, em inglês), nos Estados Unidos, no Aberto do Havaí. Aos 33 anos, ele é o primeiro brasileiro a chegar à elite do esporte em três décadas, pondo fim a um jejum que existia desde que Jaime Gonzalez encerrou sua participação na competição norte-americana, em 1982.

Só o fato de ser um brasileiro na elite de um esporte sem apelo popular no País já o credencia como uma surpresa. Sua história, porém, mostra que ele só conseguiu chegar lá por esforço pessoal e por ter sido preparado. O golfe faz parte de sua família. O avô foi um dos fundadores do São Fernando Golfe Clube, em Cotia (SP), inaugurado em 1958.

"Comecei quando criança, por influência dos pais. Fiquei curioso e animado quando criança e nunca mais larguei. Aos 18, consegui uma bolsa de estudos nos Estados Unidos para estudar marketing e jogar golfe. Foi quando comecei a melhorar. Quando terminei a faculdade, decidi me profissionalizar e aí são dez anos."

Para se tornar profissional, Alexandre Rocha teve de buscar patrocínios ou usar as premiações que recebia para poder ir ao torneio seguinte. Em vários momentos contou com a ajuda financeira dos pais. Agora a situação muda. "Antes dependia do meu desempenho, agora passo a ter tranquilidade para trabalhar. O PGA é um grande comercial."

Só nesse primeiro torneio são US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 9,2 milhões) em prêmios a distribuir, sendo que a temporada toda no ano passado distribuiu US$ 276 milhões (cerca de R$ 466 milhões). Nesta primeira competição, o brasileiro - que ainda não tem classificação no ranking mundial - enfrentará nomes bem colocados, como Jim Furyk (6.º) e Steve Stricker (7.º), e precisará, em uma única partida de 18 buracos, ficar entre os 70 melhores (são 140) para chegar às duas rodadas finais.

Classificação. Rocha conseguiu o cartão de acesso para disputar a temporada ao se classificar via o Qualifying School, uma das categorias de acesso, terminando na 22.ª colocação, com um total de 419 tacadas (ou dez tacadas abaixo do par). Se desse mais uma tacada, estaria fora. "A competição para entrar é terrível, golfistas do mundo inteiro querem entrar. São só 156 pessoas que disputam. 4 mil começam a classificação e passaram 25. Dá para imaginar como é difícil."

A pressão de fazer parte desse grupo não vai incomodar, garante o brasileiro. "Fiz três temporadas no circuito europeu. O choque inicial de jogar para 100 mil pessoas, com TV e com campos difíceis eu não vou ter, porque estou acostumado. Passo a viver numa vitrine que todo mundo vê, vou ter de me acostumar."

Recomeço. Para chegar ao PGA, Alexandre Rocha conta que estava no caminho errado e recomeçou. "2009 foi o pior ano da minha carreira. Por vários motivos, e um deles é que eu estava tecnicamente mal. Quando anunciaram que o golfe passava a ser esporte olímpico, decidi fazer uma reconstrução, comecei do zero e me dei sete anos para isso. Mudei tudo. Nunca imaginei que começaria a colher frutos tão rapidamente. Foi como se fosse corintiano e virasse palmeirense - para constar, sou flamenguista."

Ele reforça a certeza, agora, de estar no caminho certo para um ambicioso projeto, disputar a Olimpíada do Rio, em 2016. "Esse é meu objetivo. O que me impulsionou a chegar ao PGA foi isso. Golfistas não atingem a maturidade antes dos 36 anos. Eu me cuido, faço exercícios, presto atenção até no que como. Posso jogar competitivamente nos próximos dez anos." Para chegar lá, mais uma vez, o taco e a bola estão com ele.

DISPUTA MILIONÁRIA

156 golfistas disputam diretamente toda a temporada do PGA sem passar por torneios classificatórios

29 anos é o período sem brasileiro no PGA

R$ 9,2 milhões é a premiação apenas do primeiro torneio de que Alexandre Rocha participará em 2011, a partir de hoje, no Havaí. Para se ter uma ideia, a temporada toda no ano passado distribuiu US$ 276 milhões (cerca de R$ 466 milhões)

TÍTULOS NA CARREIRA

Amador

Sul-americano (1992 e 95); Brasileiro (1994 e 97); e Brasileiro categoria júnior (1993).

Profissional

São Fernando Open (2000); Masters do Chile (2001); Rio Pro-am (2002); Brasília Open (2003); Clube de Campo Open (2003); Curitiba Open (2003)/ Casino de Charlevoix Cup/Tour do Canadá (2003); Little Rock Maverick Tour Classic/EUA (2004), European Tour Qualifying School (2006); e Marbella Open /Chile (2008)

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