Um brasileiro ?voador? das piscinas

Aos 65 anos, Manoel dos Santos, ainda sente um ?friozinho na barriga? quando se lembra da final dos 100m livre na Olimpíada de Roma, em 1960, onde ganhou a medalha de bronze com o tempo de 54s40 ? seis segundos acima da marca do holandês Pieter Van den Hoogenband, ouro nos Jogos de Atenas.Era o auge de uma carreira ? um ano depois ele quebraria o recorde mundial, com 53s60, em uma tomada de tempo em Santos ? iniciada aos 12 anos, com as primeiras braçadas na piscina do internato Koeller, em Andradina, interior de São Paulo. A mesma em que Ricardo Prado (prata nos 400 m medley em Los Angeles, em 1984) aprendeu a nadar. ?Comecei por recomendação médica, porque era muito fraquinho?, relembra Manoel. O sucesso nas águas, no entanto, não impediu que ele abandonasse a sacrificante vida de atleta muito cedo, aos 24 anos. ?Na minha época não era fácil, a piscina era gelada e não se ganhava dinheiro para treinar?, justifica.Foram anos de sacrifício. De Andradina, Manoel mudou-se para São Paulo, onde dividia o tempo entre os treinos diários no Clube Pinheiros e o trabalho na indústria madeireira do pai. Quando conquistou a vaga olímpica, aos 21 anos, foi treinar em Santos, para fugir do inverno gelado da capital.Os treinos, relembra, eram muito diferentes do que se faz hoje com os atletas da natação. ?Todo o trabalho era feito com exercícios isométricos (flexão de braço, abdominal, agachamento). Nada de peso?. E ele chegava a nadar seis quilômetros por dia. ?Hoje a moçada treina 12 quilômetros?, compara.Depois que parou de competir, chegou a ficar 10 anos sem querer ver uma piscina, mas acabou disputando provas na categoria master ? ?Ganhava tudo, não tinha graça?. Hoje, só não abre mão de nadar 700 metros no Clube Pinheiros, duas vezes por semana.Renda - A natação também se tornou um negócio para Manoel, que mantém duas academias, que ostentam o seu nome, no bairro paulistano do Morumbi. ?Fico a maior parte do tempo na segunda academia, que é para bebês?, diz Fã de Gustavo Borges, Manoel conta ter se emocionado com a despedida do nadador, dono de quatro medalhas olímpicas (duas pratas e dois bronzes) em Atenas. E tem acompanhado os Jogos. ?Fico nervoso, parece que vou dar a saída no bloco, que vou dar a virada. Sinto-me como se estivesse lá?, diz, lembrando que em sua época ?não tinha essa história de roupa tecnológica, de raspar pêlo?: ?Era cair na água e nadar forte. Na raça, mesmo?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.