Um clássico de horrores no Engenhão

Bota e Flu maltratam a bola. Nível do jogo explica por que podem cair

Sílvio Barsetti, RIO, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Num clássico de pouco futebol, Botafogo e Fluminense deixaram o gramado do Engenhão sob vaias e abraçados na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O empate sem gols foi marcado por lances dignos de duas equipes praticamente sem perspectiva de melhora na competição. Em todos os 90 minutos, só houve uma chance clara, desperdiçada pelo atacante Kieza, do Tricolor.

No mais, chutões para o alto, bolas cruzadas sobre a área e erros seguidos dos jogadores, talvez por nervosismo ou pela falta de qualidade técnica de Botafogo e Fluminense.

A rodada até que ajudou a dupla carioca. Sport, Santo André e Náutico, concorrentes diretos na luta contra o descenso, perderam seus jogos. Mas a incompetência dos dois grandes do Rio impediu que houvesse um vencedor no Engenhão.

No final, o Botafogo fazia cera e a torcida alvinegra chamava o técnico Estevam Soares de burro - ele ainda não conquistou nenhuma vitória com a camisa do Botafogo, que ontem completou 10 jogos sem vencer.

Em vez de jogadas bem trabalhadas ou que resultassem em perigo para o gol adversário, o que se viu no Engenhão foi um festival de equívocos. O zagueiro Emerson desperdiçou oportunidade ao completar de canela um cruzamento. O lateral Alessandro levou os botafoguenses ao desespero quando avançou pela direita, sem marcação, fez firula e saiu com a bola pela linha de fundo. Ruy, ex-Botafogo, errava passes de dois, três metros e ainda tentou cavar um pênalti de forma tosca.

A agonia da arquibancada era visível. Gritos de incentivo eram substituídos por críticas a Estevam Soares, do Botafogo, e ao presidente Roberto Horcades, muito ofendido pelos tricolores.

No fim, o Fluminense apertou mais, após a entrada de Roni no time. Mas sem técnica nenhuma, só na base do sufoco. Deu em nada.

"Temos de manter a calma", disse Cuca, técnico do Fluminense. "Tem muito pela frente", afirmou Estevam. Pelo visto ontem, o sofrimento das duas torcidas vai continuar até as últimas rodadas. A não ser que um desses milagres do futebol bata na porta de General Severiano ou da sede das Laranjeiras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.