Um clássico e um drama: a queda para a segundona

Fluminense e Botafogo se enfrentam sob o fantasma do rebaixamento para a Série B

Bruno Lousada e Leonardo Maia, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

Botafogo e Fluminense foram para lados opostos durante a semana em busca de paz. O Tricolor se refugiou em Mangaratiba, litoral sul do Rio. O Alvinegro seguiu para Saquarema, na Região dos Lagos. Hoje, às 18h30, os dois times ameaçados de rebaixamento no Brasileiro se encontram no Engenhão para um jogo marcado pela tensão e a desconfiança das torcidas.

Conhecido como "clássico vovô", o mais antigo do Brasil, o confronto entre Fluminense e Botafogo perdeu o charme. A única atração - nem tão atraente assim - é a luta para permanecer na Primeira Divisão. Uma luta que não condiz com a tradição e a história dos dois times, que se enfrentam desde 1905.

Ambos chegaram à situação atual pelo mesmo caminho, com desmandos administrativos, dívidas crescentes, trocas incessantes de treinador e contratações malfeitas. O resultado disso pode ser visto na tabela de classificação do Brasileiro.

O Fluminense escolheu um luxuoso resort, em Mangaratiba, para achar a luz no fim do túnel. O time não pode adiar mais a reação, sob pena de ser rebaixado com algumas rodadas de antecedência. Precisa vencer, no mínimo, nove dos 15 jogos restantes para tentar evitar a queda.

Tão grande quanto a pressão é o desgaste do elenco, abatido com a enxurrada de tropeços - o Flu só venceu três partidas das 23 disputadas até o momento. "O nosso prazo está se esgotando", disse o técnico Cuca.

Seu maior desafio é levantar a cabeça de um grupo carente de talento e habituado a arranjar desculpas a cada fim de partida. O semblante dos atletas é de tensão. As brincadeiras entre eles são cada vez mais isoladas. Cuca promoveu alterações na equipe, fez reuniões e ministrou palestras motivacionais.

O tom de voz do técnico Estevam Soares subiu durante a semana de treinamento do Botafogo em Saquarema. Era uma bronca atrás da outra, exigindo mais atenção e eficiência do time. Na conhecida superstição alvinegra, até a estada no Centro de Treinamento do voleibol brasileiro foi visto como algo muito proveitoso. "Eles viveram num ambiente que transpira vitórias. Por isso, foi lucrativo", disse o treinador, que tenta o primeiro triunfo com a equipe alvinegra - até agora, em sete jogos, obteve cinco empates e perdeu duas vezes.

Fora de campo, conselheiros do Fluminense iniciaram processo de impeachment do presidente Roberto Horcades, que se arvora sucessor natural de Ricardo Teixeira na Confederação Brasileira de Futebol. No Botafogo, os dirigentes também sofrem com brigas internas.

PASSADO DE SOFRIMENTO

O Fluminense, lanterna da competição, já foi ao fundo do poço em 1999, quando disputou a Terceira Divisão. O Botafogo teve seu maior revés em 2002, ao cair para a Série B do Brasileiro. Num clássico que já arrastou multidões para acompanhar Gérson, Garrincha, Nilton Santos e Rivellino, a escassez de talento assusta e afugenta o público do Engenhão.

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