Werther Santana/Estadão
Breno Correia, nadador do Pinheiros Werther Santana/Estadão

Um clube que é referência na formação de nadadores

Atletas contam com estrutura moderna, equipe multidisciplinar e tecnologia para dar braçadas cada vez mais rápidas

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 04h33

No país do futebol, um clube se especializou na revelação e lapidação de talentos da natação. Para isso montou uma estrutura moderna e multidisciplinar, reformou sua antiga piscina e inaugurou uma nova em 2015, com a tecnologia usada nas principais competições mundiais. O segredo do sucesso do Esporte Clube Pinheiros não vem de hoje, mas se acentuou com os últimos resultados de seus atletas nas disputas internacionais. O clube virou exemplo. Tem fama. Bandeiras mais famosas no futebol, por exemplo, não têm o mesmo desempenho e estrutura.

No Mundial de piscina curta, na China, a medalha de bronze no revezamento 4 x 100m livre veio só com atletas do clube paulista: Matheus Santana, Marcelo Chierighini, Cesar Cielo e Breno Correia. No ouro no 4 x 200m livre, que teve quebra de recorde mundial, dos quatro nadadores da final, três defendem as cores do E.C. Pinheiros: Breno, Luiz Altamir e Leonardo Santos.

Essa fábrica de talentos é a maior vencedora do Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação, com 17 títulos. O segredo está na junção de boa estrutura, contratação de jovens talentos e atletas de ponta que ajudam a dar respaldo para quem está chegando, como Cielo. Não à toa passou a ter uma hegemonia no cenário nacional e no internacional briga com os grandes países.

O nadador Breno Correia talvez seja o exemplo mais recente disso. Nascido em Salvador, ele se destacou no Flamengo e foi convidado pelo Pinheiros para integrar a equipe. Não hesitou em mudar de cidade, junto com seus pais, para viver o sonho do esporte olímpico. A evolução do garoto de 19 anos é nítida e ele é tido como uma das principais promessas do Brasil para os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio.

“Eu tive bons resultados no fim de 2016, no Flamengo, e aí recebi a proposta do Pinheiros, coloquei tudo na balança e optei por vir para cá. Valeu completamente a pena. Meus pais se mudaram junto comigo para São Paulo, estou no segundo ano de clube e é muito satisfatório já ter conseguido resultados positivos”, conta o garoto.

Breno começou a nadar aos 6 anos de idade por motivo de saúde. Tinha asma, bronquite, sinusite, rinite. “Eu era um garoto que ficava muito doente, então meus pais resolveram me botar na natação justamente por isso. Nadei em alguns clubes de Salvador, mas por motivo de trabalho do meu pai, eu mudei várias vezes de cidade, cheguei a morar em Vitória, no Rio de Janeiro e agora estou em São Paulo.”

Com o pai aposentado, agora é Breno que fez a família mudar de ares. Quando voltou com suas duas medalhas do Mundial, pediu para a mãe caprichar na refeição. “Pedi para ela fazer qualquer coisa, já estava enjoado da comida lá da China, foram 18 dias e a culinária oriental é bem diferente da nossa. Pedi o básico: arroz, feijão e carne”, diz. “Eu tenho uma bênção de ter os pais perto de mim nos momentos de alegria e de dificuldade. Eles me ajudam na alimentação, a me levar e buscar nos treinos, são minha base.”

Desde que chegou à nova casa, Breno melhorou sua forma de nadar. Cada movimento na piscina é filmado e revisado para tentar corrigir possíveis falhas e aperfeiçoar o estilo. No treinamento, tem a inspiração de Cielo, campeão olímpico, recordista mundial e que esteve com ele na China. O nadador do Pinheiros sabe que precisa continuar crescendo para sonhar com braçadas mais rápidas. “Este ano serviu para chegar à seleção. Acredito que 2019 é o ano de me firmar. Tem torneios importantes, como Mundial e Pan, e acredito que são objetivos interessantes que podem ajudar na formação da minha carreira”, diz. “Os resultados servem de motivação e inspiração até a Olimpíada. Sabia que ir para Tóquio era possível quando vim para cá, após os últimos resultados vejo que está bem perto.”

 

 

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Atleta de elite nada mais de nove quilômetros por dia no treinamento

Rotina dos nadadores é pesada e inclui período na piscina e na musculação

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 04h34

A rotina de um atleta profissional é pesada. O nadador Luiz Altamir, ouro no revezamento 4 x 200m livre no Mundial de piscina curta na China, conta que seu dia começa bem cedo e só vai terminar depois de muito treinamento, que inclui no mínimo 9 quilômetros de braçadas na piscina. Tudo isso para ser um dos melhores do País.

“Um dia normal é acordar às 6h, tomar café da manhã, arrumar as coisas, às 7h30 está caindo na água, às 9h30 acaba, às 10h começa musculação, fica até as 11h30, volta para casa, almoça, descansa um pouco, estuda o que tiver de estudar, às 17h volta ao clube, treina até as 19h, depois tem aula até as 22h30, aí dorme e repete tudo isso no dia seguinte”, diz o nadador.

É uma rotina sem brechas, e todos os dias. Mas ele sabe que tem de se dedicar se quiser realizar seus objetivos olímpicos. Ainda mais porque, para os padrões da elite da natação mundial, ele é baixo – tem 1,74m de altura. Mas o tamanho não tira suas chances na raia de competição. “Quem assistiu ao filme Rocky 4 sabe que ele lutou contra um russo de 2m de altura e ele batia no peito do adversário. Eu sou o Rocky Balboa da natação, me vejo assim. Sei que sou capaz disso e não tem tamanho que possa me atrapalhar”, avisa.

“O que coloco na minha cabeça, independentemente da altura, é que nada supera o trabalho duro. Provei isso diversas vezes. Se pegar todos os resultados e a altura do pessoal, sou o mais baixinho do Mundial, no time brasileiro, e isso não me deixa acanhado ou com medo. Nada pode te limitar a realizar um grande sonho”, defende ele.

O rapaz de 22 anos nasceu em Boa Vista, Roraima, mas ainda bebê se mudou para Fortaleza, no Ceará. Começou na natação com um ano de idade por influência familiar. A mãe era professora numa escolinha de natação e ensinou as primeiras braçadas. Sua tia, que pratica triatlo, também serviu de inspiração. “Essas pessoas foram exemplo para mim. Já fiz judô, futebol, mas sempre nadava desde pequeno. Foi aí que me apaixonei.”

Luiz Altamir se destacou nos Jogos Escolares de 2011 e recebeu um convite do Flamengo. Ficou lá de janeiro de 2012 até o fim de 2016, ano que disputou os Jogos Olímpicos no Rio. Em 2017, teve proposta do Pinheiros e decidiu mudar de ares. “Aqui tem uma equipe de altíssimo nível, você nunca fica na zona de conforto. Tem dez pessoas que nadam a mesma prova que a sua, em alto nível, sempre querendo melhorar. Por isso é um time especial e estar aqui é excelente.”

 

 

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Albertinho: 'Temos conseguido ter um olho bom para trazer os talentos para cá'

Técnico da natação do clube fala sobre o programa para os velocistas e o trabalho que é realizado na piscina e fora dela

Entrevista com

Alberto da Silva

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 04h34

Alberto da Silva, o Albertinho, é o técnico principal da natação do Clube Pinheiros. Ele elogia a estrutura que tem à disposição, mas lamenta faltar essa mesma estrutura em locais públicos, que poderiam revelar mais talentos nacionais para a modalidade. De qualquer maneira, ele tenta aproveitar o tamanho do clube para observar jovens promessas de todas as partes do Brasil.

Qual é o segredo do Clube Pinheiros para ter bons velocistas em sua equipe?

Nosso programa está muito encaixado para essas provas de 50m, 100m e 200m livre. A gente tem tido bons resultados em outras provas, mas em nível internacional a gente subiu bastante. A ponto de um revezamento 4 x 100m livre treinado aqui ser medalha de bronze lutando com todos, um 4 x 200m com três atletas daqui e um garoto do Minas foi ouro. O programa está bom e temos conseguido ter um olho bom e trazer esses talentos para dentro do Pinheiros.

Como é feito esse trabalho no dia a dia com os atletas profissionais?

A estrutura por si só não vai fazer o resultado. Temos de ter os atletas, mas outra coisa fundamental são as pessoas que trabalham no clube. O preparador físico tem de ser comprometido, querendo estudar e crescer, o biomecânico a mesma coisa, o cara que vai recuperar os atletas, o médico para ajudar a gente a avaliar as fases do treino, e ter um bom programa.

O trabalho é para detectar talentos em qualquer lugar e lapidá-los no clube?

A gente procura trabalhar esses atletas aqui dentro. Temos o radar ligado, estrutura e bons profissionais para esses garotos gastarem menos dinheiro e terem tudo isso à mão aqui bem próximo. O Breno está com 19 anos, é o segundo ano dele aqui. Ele era um garoto bom a nível nacional dentro da categoria dele. Se olhar o 4 x 100m livre, o Pedro Spajari e o Gabriel Santos estão aqui desde bem novos. Vieram de outros lugares, mas estão aqui há muito tempo. Eles estiveram na medalha no Mundial em Budapeste o ano passado. O Marcelo Chierighini começou com a gente com 15 anos.

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