Um Corinthians acuado no Morumbi

No 1.º grande desafio de 2008, time alvinegro arma retranca para tentar conter o amplo favoritismo do São Paulo

Giuliano Villa Nova e Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Em poucas ocasiões, nos mais de 70 anos de história entre São Paulo e Corinthians, um time foi a campo com tanto favoritismo, como ocorrerá hoje, a partir das 16 horas, no Morumbi. Os são-paulinos, em excelente momento, só terão motivos para festejar se vencerem o clássico. Em situação bem diferente, os corintianos não ficam constrangidos em insinuar que um empate será ótimo resultado.Não por acaso, o técnico gaúcho Mano Menezes, recém-chegado ao Parque São Jorge, admite montar esquema bem cauteloso, mais ou menos como fazem os times pequenos quando enfrentam um poderoso adversário. Deve até pôr Finazzi no banco.A diferença de elenco - e de confiança -, além de status, é enorme. O São Paulo, afinal, é o atual bicampeão brasileiro e entrará na Libertadores como favorito. O Corinthians, rebaixado para a Série B do Nacional, tenta recuperar o moral, o prestígio e a imagem.O caminho a percorrer será longo. O jogo contra o São Caetano foi um bom exemplo: desorganização e derrota. As vitórias diante de Guarani e Paulista ajudaram, claro, mas pouco representam. Os dois ainda não pontuaram na competição e, neste ano, disputarão a Terceira Divisão do Brasileiro.Os são-paulinos adotam o discurso padrão. Muricy Ramalho se irrita ao ouvir os corintianos dizerem que a equipe do Morumbi é favorita. ''''Favoritismo em clássico não existe, é coisa velha e não me convence'''', diz o competente e mal-humorado comandante tricolor. Mas sua frase não engana ninguém. Em conversas reservadas, os dirigentes consideram obrigação os três pontos nesta tarde. A torcida também não pensa diferente.Humilde, ainda tentando se reerguer, o Corinthians teme o maior desafio neste início de temporada. Sabe que, se não estiver em tarde inspirada, pode voltar para o Parque São Jorge com resultado pra lá de negativo. Mano fez até treino secreto e provavelmente vai armar retranca dos tempos de Grêmio para tentar parar Adriano & cia, com dois zagueiros, três volantes e dois laterais marcadores. Felipe, um dos pouquíssimos destaques corintianos, reconhece a superioridade tricolor a ponto de dizer que nem se importaria em sofrer gol do ídolo Rogério Ceni. ''''Ficaria chateado se fosse de um goleiro qualquer, mas do Rogério eu buscaria a bola no gol e torceria para que meus companheiros revertessem o resultado.''''Uma das diferenças entre São Paulo e Corinthians é a expectativa de estréia de jogadores. Os são-paulinos devem ter no banco o meia Carlos Alberto, destaque no Porto campeão europeu de 2004. Os corintianos, por outro lado, aguardam a primeira partida de Ricardo Bóvio com a camisa do clube.

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