Um craque da vinicultura

Trulli produz 800 mil garrafas por ano

Amanda Romanelli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2008 | 00h00

O piloto Jarno Trulli, da Toyota, já disse algumas vezes que não é um típico italiano - a começar pelo nome, de origem finlandesa. Além disso, lembra que não gosta de futebol e, hoje, mora na Suíça. Mas quando o assunto é vinho, não foge às tradições de sua terra. Por hobby, decidiu se tornar produtor da bebida.Com a distribuição dos vinhos já garantida em boa parte do globo (e nos vários lugares por onde passa a F-1), Jarno aproveitou a estada em São Paulo para anunciar que o País também receberá seus vinhos que produz na Quinta Podere Castorani, na cidade de Allano, região de Abruzzo. São 35 hectares históricos, utilizados para o cultivo de uvas desde o fim do século 18. Produzir vinhos, conta Jarno, é tradição familiar. Seu avô, Gaetano, já se dedicava à vinicultura. "Eu me lembro de quando tinha quatro, cinco anos, de brincar entre as videiras e entrar nos barris de carvalho", lembra, saudoso. Há pouco menos de 10 anos, o piloto e seu pai, Enzo, resolveram que iriam investir novamente na área. Mais por paixão que por necessidade. "Honestamente, não precisaria me dedicar a outro negócio que não a F-1. Mas as coisas mudaram muito! Iniciamos o trabalho pensando em um hobby, quase uma paixão, produzindo só 8 mil garrafas por ano. Atualmente, são 800 mil." Graças às viagens, Jarno tornou-se relações-públicas da empresa familiar. Tanto que seus vinhos estão em toda a Europa, EUA, Canadá, Malásia, Japão e Cingapura. O Brasil, diz, é o coração da América do Sul e a porta de entrada para novos mercados. "Todo ano encontramos novos distribuidores e essa é a nossa força. Mas meus vinhos não estão apenas onde a F-1 está. Vendemos também para a Rússia, por exemplo." Quem cuida dos negócios, de perto, é o pai, que vive na propriedade.Acostumado à velocidade das pistas, Jarno explica que o vinho que leva seu nome - o mais nobre entre os 28 rótulos produzidos, que custará cerca de R$ 370,00 - precisa de quatro anos para chegar ao momento ideal de degustação. Haja paciência para um piloto de F-1. "São coisas diferentes, mas vejo uma semelhança. Assim como o vinho, estou melhorando com o tempo, envelhecendo bem", completa o italiano de 34 anos, 9º colocado no Mundial.

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