Um dos maiores berços do vôlei fecha as portas

Sem patrocínio, Brasil Vôlei Clube, o antigo Banespa, encerra suas atividades no esporte [br]depois de 27 anos

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

A agonia do Brasil Vôlei Clube, o antigo Banespa, acabou ontem. O clube que revelou atletas como Gustavo, Murilo, Ricardinho, Rodrigão, Sidão, Giovane, Marcelo Negrão e Tande encerrou suas atividades por falta de patrocínio. Mas, tal como ocorreu em Osasco - que perdeu o apoio do Bradesco no meio do ano passado -, São Bernardo não perderá a equipe de vôlei masculino. A Secretaria Municipal de Esportes já trabalha com a formação de um novo time, cuja base será a equipe que disputou a última Superliga.

A comissão técnica da equipe adulta foi mantida na cidade. "Mas é claro que tivemos algumas dispensas, porque nosso grupo de trabalho era bastante numeroso", disse o técnico Rubinho, que estará à frente do novo time. "Felizmente, estas pessoas já estão se realocando ."

O secretário municipal José Luiz Ferrarezi confirmou que já existe um patrocinador para o recomeço do vôlei na cidade. "O investimento, porém, será muito menor. A comissão técnica topou continuar, embora não tenha sido feita uma proposta dos sonhos." Com o Brasil Vôlei Clube inativo, agora é preciso buscar um clube parceiro para registrar os jogadores. "Acredito que vamos resolver essa situação em, no máximo, duas semanas. Aí poderemos revelar o nome do patrocinador." A equipe continuará treinando e jogando no Ginásio Baetão.

Ontem, o ex-presidente do time, José Montanaro Júnior, informou que o time juvenil e adulto foram oficialmente dispensados. Em janeiro, a equipe infanto-juvenil já havia sido desfeita. Montanaro, que também jogou pelo clube, assumiu a gerência das categorias de base do Sesi, time que deve receber, para a próxima temporada, o líbero Serginho Escadinha.

Fica, porém, a melancolia do fim de um projeto iniciado em 1983, quando o Banespa - antigo banco estadual paulista - iniciou o investimento no vôlei. Por suas famosas peneiras passaram cerca de 40 mil jovens e atletas formados em todas as suas categorias (do infantil ao juvenil), representaram o País em centenas de competições internacionais. Apesar das incertezas quanto ao futuro, o Brasil Vôlei Clube foi vice-campeão do último Campeonato Paulista e chegou às quartas de final da Superliga - acabou eliminado pelo Montes Claros, que fará a final do torneio contra o Cimed no sábado.

O banco espanhol Santander, que comprou o Banespa em 2000, anunciou em agosto de 2009 que iria redirecionar seus investimentos no esporte. Garantiu, porém, que apoiaria o clube de vôlei até o fim deste mês. Começou, então, uma busca incessante por um novo patrocinador, capitaneada por Montanaro. Para a manutenção da estrutura, que funcionava com os times de todas as categorias, eram necessários R$ 7 milhões anuais. O clube conseguiu a aprovação de um projeto na Lei de Incentivo ao Esporte. Mesmo assim, não conseguiu captar recursos.

Agora, São Bernardo sonha em refazer o projeto. "Esperamos, a médio prazo, retomar o trabalho de formação", diz Rubinho. "E, quem sabe, já no ano que vem, ter equipes participando de campeonatos de base."

PARA LEMBRAR

Time foi a base de seleções medalhistas

A equipe do Banespa foi criada em 1983, no início do boom do vôlei nacional - o Brasil seria alçado a potência definitiva da modalidade no ano seguinte, quando conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles.

Durante 25 anos, o time forneceu jogadores à seleção. A equipe campeã olímpica em Barcelona/1992 tinha metade dos jogadores formados no clube. Em Atenas/2004, sete dos 12 atletas jogaram na equipe. Cerca de 40 mil jovens passaram por suas peneiras.

Em2000, o Santander comprou o Banespa e, em 2003, o time se mudou para São Bernardo. Em 2009, quando o banco espanhol anunciou que não apoiaria o projeto, o time se tornou Brasil Vôlei Clube.

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