Um estádio repleto de histórias

Loftus Versfeld, o mais antigo da Copa, não oferece boas condições aos fãs

Luiz Antônio Prosperi e Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

Encravado em uma zona rica de Pretória, cercado pelas embaixadas de grandes países, hotéis requintados e belas casas, o Loftus Versfeld recebe hoje Brasil e Estados Unidos pela segunda rodada do Grupo B da Copa das Confederações. Trata-se do estádio mais velho desta competição e também, a partir de 2010, de toda a história da Copa do Mundo. Apesar do charme, o perigo ronda suas paredes. Para quem não conhece a história, o estádio foi fundado em 1906, a dois quilômetros do centro da cidade. Cabiam apenas 2 mil pessoas. E o campo era de rúgbi. Futebol nem pensar. Nos longos anos de apartheid, os moradores do bairros, a maioria de brancos, não permitiam jogos de futebol ali. Com as mudanças na África do Sul, inevitável, a bola redonda - não a oval tão querida até hoje pelos brancos - rolou no Loftus Versfeld. Aliás, o nome é uma homenagem a um dos primeiros administradores de esportes de Pretória, Robert Owen Loftus Versfeld. De reforma em reformas, a capacidade chegou a 51.762 pessoas em 1977. Hoje, de acordo com a Fifa, a lotação máxima é para 50 mil torcedores. A história para por aí. Ontem, em uma breve visita ao velho estádio, enquanto a seleção brasileira treinava, foi possível notar terríveis problemas de estrutura.Nos corredores entre o campo e as arquibancadas, as poças d?água tomam conta do lugar. Em alguns setores, os velhos tijolos das muradas estão se soltando. Boa parte dos assentos, na verdade velhas cadeiras de plástico, também estão soltas ou fáceis de serem arrancadas. Para o Mundial, a promessa é de melhorias em todo o local.Ao redor do estádio, pouca preocupação com a segurança. Alambrados frágeis de alumínio não suportam a pressão de um pingo de gente. Não houve também por parte dos organizadores um controle mais rígido de quem entrava e saía dali. Simpáticos, os voluntários e funcionários escalados pela Fifa e o Comitê Local da Copa das Confederações não revistaram uma mochila, uma bolsa. Não está descartada também a possibilidade de a Fifa ceder ingressos de graça aos mais pobres de Pretória. O coordenador geral da FIFA, Helmut Sandrock, disse ontem que bilhetes gratuitos foram distribuídos aos torcedores pobres de Bloemfontein para a partida de ontem entre Espanha e Iraque. Com ou se ingresso de graça, hoje, dia de jogo, se espera um cuidado maior com a segurança e conforto aos torcedores no Loftus Versfeld. Os Estados Unidos estarão no campo contra o Brasil. E, poucas quadras dali, está a embaixada norte-americana.

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