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Um grande erro

Ferrari falha de novo e Massa perde chance de ser líder. Alonso foi o vencedor

Livio Oricchio, CINGAPURA, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

Mais uma vez a Ferrari deixou Felipe Massa na mão. O responsável por operar o semáforo no pit stop sinalizou luz verde para o brasileiro enquanto os mecânicos ainda reabasteciam o carro. Era a 17ª volta do GP de Cingapura, o primeiro disputado à noite. Ao ver o sinal verde, Massa acelerou, arrancou a mangueira de combustível, foi punido pelos comissários por quase colidir com Adrian Sutil e acabou a corrida em 13º. "Erro humano, infelizmente a pessoa apertou o botão errado", afirmou Massa, abatido. Ele liderava. O estrago para o piloto da Ferrari só não foi maior porque Lewis Hamilton, da McLaren, seu principal adversário na luta pelo título, terminou em terceiro. Venceu Fernando Alonso, da Renault, favorecido pela entrada do safety car na 13ª volta por causa de um acidente com seu companheiro, Nelsinho Piquet, que vive momento delicado na equipe. Nico Rosberg, da Williams, classificou-se em segundo. Agora a diferença no campeonato entre Massa e Hamilton cresceu de 1 para 7 pontos, 84 a 77, e restam três etapas para o encerramento da temporada. A próxima será no Japão, no dia 12. A direção da Ferrari não divulgou o nome do responsável pelo erro, a fim de preservá-lo. "Pode acontecer, não sou do tipo que vai atrás da pessoa para brigar. Fui lá e o abracei, chorava muito, lhe dei ainda mais motivação, temos três corridas pela frente, há 30 pontos em jogo", explicou Massa. Em sua avaliação, o importante, depois do ocorrido, foi compreender que o carro está veloz. "As coisas podem mudar rápido", comentou Massa. "Dá para pensar em vencer as três provas e, se o Kimi ajudar, chegar em segundo, roubar pontos da McLaren..." Contar com Raikkonen parece tarefa difícil. O campeão do mundo bateu de novo, quatro voltas antes do fim, quando era quinto. Faz quatro etapas que o finlandês não marca ponto, o que permitiu à McLaren ultrapassar a Ferrari no Mundial de Construtores, 135 a 134. Massa teve de estender-se em explicações sobre o incidente. "Não sabia que carregava a mangueira. A equipe me avisou pelo rádio quando estava no meio dos boxes e não é possível parar lá. Tive de ir ao final deles. E depois demoraram, também, para chegar." Os mecânicos não conseguiam retirar o engate do bocal do tanque. Massa perdeu tempo enorme e na seqüência cumpriu drive-through por manobra de risco ao sair do seu box. "Tive, ainda, um pneu furado (traseiro esquerdo), um pedaço de borracha de outro carro preso sob o assoalho e o tráfego todo na minha frente." A primeira parte da prova representava outra realidade: "Nosso ritmo era sensacional até o primeiro pit stop (17ª volta), era dia para fazer 1º e 2º." Raikkonen pararia depois de Hamilton e provavelmente o ultrapassaria no pit stop, pois já estava mais veloz. A seqüência de erros da Ferrari, este ano, de novo decidiu a classificação de Massa. "Tivemos tantos problemas, dói", lamentou. "Infelizmente eles aconteceram mais com a gente até agora, mas tenho de olhar para a frente." O retrospecto da equipe é ruim: na Austrália, os dois carros tiveram motores quebrados. Em Mônaco, os mecânicos instalaram os pneus na Ferrari de Raikkonen, no grid, além do tempo permitido, e ele teve de cumprir drive-through. Em Montreal, o sistema de reabastecimento de Massa não funcionou; ele precisou regressar aos boxes e caiu para último. Na França, o escapamento do motor de Raikkonen se rompeu, enquanto na Grã-Bretanha não substituíram os pneus intermediários por novos dos dois pilotos no pit stop. Ambos mal se mantinham na pista molhada. O motor de Massa quebrou na Hungria e o de Raikkonen em Valência. Na prova espanhola também o finlandês arrancou com o sinal vermelho nos boxes e feriu um mecânico. Outra troca de motor de Massa em Monza e, ontem, o erro na operação do sinal, todos altamente comprometedores. ACELERADASNelsinho Piquet viveu um dos seus piores fins de semana na F-1. Não passou da primeira parte da classificação e ontem, andando lá atrás, bateu forte de traseira. O ambiente para ele na Renault é de alto desgaste. "Estava muito pesado e o carro batia com o assoalho nas ondulações. Além disso os pneus começaram a se degradar rápido. Bati no muro", falou. "Ano que vem vou estar na F-1", garantiu. Rubens Barrichello poderia ter chegado ao pódio. Assim que Nelsinho Piquet bateu, seu engenheiro o chamou para o box, antes de fechar. "Foi brilhante. Enchemos o meu tanque, voltei à pista e o motor simplesmente deixou de funcionar. Perdemos grande chance de um resultado excepcional. Não dá para não estar bem chateado." Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, admitiu poder rever o uso do semáforo nos pit stops e voltar a usar a placa. Mandou um recado para Raikkonen: "Não sei se está matematicamente ou não (fora da luta pelo título), mas vai ajudar a equipe tentar ser campeã de pilotos e construtores."

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