Um Ibirapuera lotado para fazer história

É o que o Brasil espera para hoje à noite, a partir das 20h, quando enfrenta a Espanha na briga por uma vaga na semifinal

Alessandro Lucchetti, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h08

O handebol do Brasil pode dar um grande salto hoje. Se derrotar a Espanha, pelas quartas de final do Mundial feminino, alcançará a melhor posição da história da modalidade no País. Até hoje, o melhor resultado foi a sétima colocação do Mundial de 2005, em São Petersburgo, na Rússia.

A partida começa às 20h, no Ginásio do Ibirapuera, e terá transmissão ao vivo pelo canal Esporte Interativo.

Ontem, nas entrevistas coletivas que reuniram os treinadores das oito equipes que seguem na luta pelo título, o técnico da Espanha e o do Brasil se esforçaram para jogar o favoritismo para o outro lado. "O favorito é o Brasil. Joga em sua casa e não perdeu nenhuma partida ainda", disse o espanhol Jorge Dueñas de Galarza, cuja equipe sofreu uma derrota na fase inicial, para a Rússia, que é a atual tricampeã.

O dinamarquês Morten Soubak, que treina a seleção brasileira, tratou de rebater logo. "É muito fácil falar de favoritismo. Adorava abordar esse assunto quando era comentarista de TV na Dinamarca. Mas eu não sabia que o simples fato de pisar em sua terra torna uma equipe favorita."

De fato, como o Ibirapuera ainda não ficou lotado durante um jogo do Brasil na competição, é questionável falar em favoritismo para o time da casa. "Quem veio ao ginásio já nos ajudou pra caramba, mas precisamos de mais gente", salienta Soubak.

Apesar desse discurso, há motivos para se acreditar que o Brasil já chegou ao nível em que se encontra a Espanha, que foi a quarta colocada no Mundial de 2009. Além de ter derrotado o adversário de hoje, num amistoso em São Bernardo do Campo, antes do Mundial, por 28 a 24, o Brasil perdeu outra partida preparatória no ano passado, na Espanha, apenas nas penalidades - os tiros de sete metros - depois de duas prorrogações. Além disso, a vitória na primeira fase, sobre a França - atual vice-campeã mundial - encheu as brasileiras de confiança.

A Espanha joga de uma forma diferente da maior parte das potências europeias, em parte por não ter o biótipo das escandinavas, russas ou alemãs. De Galarza, em seu discurso, gosta de destacar a decantada garra espanhola. "Jogamos com velocidade. E o temperamento e o caráter é o que nos ajuda a compensar algumas carências."

Soubak acha que já há um jeito espanhol de jogar handebol, mas ainda não existe um estilo brasileiro. "Estamos tentando criar uma marca. No jogo contra a França é que ela mais apareceu. Uma defesa muito agressiva, aliada a muita ofensividade", entusiasma-se o nórdico, para depois lamentar os obstáculos que encontra para fazer o Brasil mudar de patamar na modalidade. "Não temos a canhota de que eu preciso. A Dinamarca tem cinco milhões de habitantes e lá sobram canhotas. Como não consigo encontrar uma aqui? Tenho certeza que ela existe, mas não sei o seu endereço", brinca.

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