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Antero Greco
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Um jogo de risco

A lógica indica São Paulo na cabeça no jogo com o Danubio na noite de hoje, em Montevidéu, pela quinta rodada do Grupo 2 da Libertadores. Patriotadas à parte, o time brasileiro é melhor, tem jogadores de qualidade e se mostra dedicado a reagir de vez na competição. A equipe uruguaia segura a lanterna e perdeu as quatro partidas realizadas até aqui, duas em casa.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2015 | 02h04

Você acredita que o retrospecto favorece o Tricolor? Sim?! Idem aqui. Há desnível significativo que pesa em favor da rapaziada dirigida por Milton Cruz. Mas vem a danada da dúvida a provocar reflexões: e se o Danubio se comportar como franco-atirador e complicar? Se for suficientemente atrevido para desembestar para o ataque, no mínimo para preparar despedida honrosa? Derrota a mais ou a menos não lhe faz diferença.

As interrogações não se limitam a esses quesitos. O mais importante está no fato de que a obrigação de ganhar é do São Paulo, ele tem pretensão de seguir adiante no torneio, joga projeto grandioso nesta visita e no clássico com o Corinthians, semana que vem, no Morumbi. Dois momentos para determinar-lhe o semestre - ou o ano, em projeção otimista. A necessidade de tomar iniciativa é são-paulina.

O ato de questionar não significa pessimismo nem complexo de inferioridade. Ao contrário, se for bem trabalhado leva ao aprimoramento, abre o caminho do sucesso. Deve-se confiar mais em quem duvida do que nos que acreditam sempre, sem discussão. Isso quem afirmava eram os gregos antigos - e eram bons de filosofia que só.

Milton Cruz leva em consideração o risco do jogo. Daí a tendência a optar por formação conservadora, com quatro zagueiros e um meio-campo com cinco. Pato, na teoria, funcionará como único atacante. O treinador interino acenou com mudanças nos ensaios para hoje, a começar com Dória no lugar de Lucão na zaga. No meio, também, sem Denilson e sem Wesley (não inscrito para esta fase). Hudson, Souza e Rodrigo Caio são importantes na marcação, da mesma forma que Michel Bastos e Ganso na criação.

Pra variar, no papel o São Paulo faz parte dos clubes com bom elenco para padrões nacionais. A prática nem sempre satisfaz. Houve mudança de postura tática e de astral nas duas últimas apresentações, contra Lusa e Red Bull, nas vitórias por 3 a 0. Ok, dá-se o desconto, pois foram compromissos pelo Campeonato Paulista. Agora, a exigência é maior. No entanto, esses dois adversários domésticos indicaram caminhos para a reação completa e convincente, que passa por velocidade, deslocamentos, participação intensa da dupla aviária Pato e Ganso. Termina com defesa atenta, sobretudo em cruzamentos, um dos pontos falhos.

Perder talvez não seja tragédia consumada, porque amanhã o Corinthians topa com o San Lorenzo em Itaquera. Não é saudável, porém, passar por nova provação e transferir para terceiros a tarefa da classificação. Esse tipo de terceirização não funciona no futebol. Ao São Paulo, resta uma alternativa: ganhar, para ser feliz.

Insensatez. Certas deliberações são incompatíveis com profissionalismo. O Cruzeiro se vê obrigado a transtorno injusto por intransigência da Federação Mineira de Futebol. O bicampeão brasileiro jogou com o Atlético no domingo, viajou em seguida para enfrentar o Huracán ontem à noite, volta, joga no domingo outra vez com o Galo e na terça recebe o Universitário de Sucre. Não faz sentido submetê-lo a tamanha insensatez. Crueldade.

Dilema verde. Valdivia voltou a ser centro de atenções no Palmeiras. No domingo colaborou para a vitória sobre o Botafogo e reacendeu o debate em torno de renovação de contrato. O caso não tem mistério: a diretoria precisa analisar a bendita relação custo/benefício e apresentar a proposta que considere adequada. Negocia-se até acordo, que pode levar a permanência ou saída. Só não vale um ser refém do outro.

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