Um justo campeão. Pela regularidade

Tricolor carioca superou adversidades e foi o time que mais tempo passou na liderança - em 23 das 38 rodadas

Bruno Lousada, Leonardo Maia, Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

A campanha do Fluminense neste Campeonato Brasileiro deixa poucas margens para dúvidas quanto ao merecimento da equipe tricolor, independentemente de malas brancas e adversários pouco interessados na vitória na reta final. Afinal, o Tricolor carioca foi o time que por mais rodadas liderou a tabela de classificação. Foram 23 jornadas no topo, das 38 totais, uma regularidade obtida com boa dose de superação de obstáculos.

Sob o comando de Muricy Ramalho, o time precisou superar muitos desfalques por contusão, principalmente dos grandes astros. Fred, por exemplo, grande ídolo da torcida por sua liderança na arrancada que salvou o time do rebaixamento no ano passado, esteve presente em apenas 15 jogos, contando a vitória de ontem sobre o Guarani. Emerson, Deco, Diguinho, Fernando Henrique, Diogo, todos perderam tempo no "estaleiro" por causa de graves lesões.

Outro importante "desfalque" foi o Maracanã. Com a interdição do estádio para as obras de reforma para a Copa do Mundo de 2014, o Fluminense ficou órfão de sua torcida por grande parte da competição. Tentou fazer de sua casa o Engenhão, palco do jogo derradeiro de ontem, mas apenas nas rodadas finais o estádio recebeu grande público.

Guiado pela obsessão do tetracampeão Muricy, o time não deixou o ritmo cair por muito tempo. O treinador, diante das muitas ausências, soube encontrar no elenco jogadores aptos a manter a equipe entre as três primeiras durante os períodos de baixa. Tartá e Ricardo Berna são bons exemplos. O jovem meia-atacante nem sequer estava no grupo no início do ano, emprestado ao Atlético-PR. Voltou, seguiu escondido até ser resgatado para as partidas finais. Deixou a sua marca com gols decisivos, como nas vitórias sobre Vasco (1 a 0) e Palmeiras (2 a 1). Berna também se viu na inusitada condição de ser alçado de terceiro goleiro para titular adorado pela torcida.

Nesse caso, Muricy teve sorte. Fernando Henrique fraturou um dedo, Rafael assumiu a posição, mas falhou em muitas ocasiões. O treinador apostou no segundo reserva. Mas a sorte costuma acompanhar os merecedores e, como diria o tricolor Nelson Rodrigues, "sem sorte não se chupa nem picolé porque cai no pé".

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