Imagem Eduardo Maluf
Colunista
Eduardo Maluf
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Um mito

Rogério Ceni é daqueles personagens que vivem em destaque, na boca do povo e da imprensa. Principalmente quando erra, como na derrota para o Strongest, há duas semanas. O goleiro às vezes não reconhece falhas, muitas vezes não é simpático e de vez em quando parece arrogante. Mas mostrou, de novo, anteontem, por que se tornou o maior ídolo da história do São Paulo.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h05

Seus "frangos" são prato cheio para os torcedores adversários. Eles ganham dimensão dobrada. Rogério deixou passar três ou quatro bolas defensáveis nos primeiros quatro meses de 2013, algo normal para um goleiro que joga sempre. Quem não acompanha o futebol de perto, contudo, deve imaginar que engole um peru a cada rodada, tamanha a repercussão de seus escorregões.

O reserva, Dênis, raramente entra em campo e, mesmo assim, já falhou na temporada - contra o Botafogo, no interior. O atleticano Victor foi traído pela velocidade da bola na altitude de La Paz e errou em gol do Strongest. O corintiano Cassio foi mal em duas ou três bolas cruzadas neste começo de ano... São apenas alguns exemplos.

Na noite de quarta-feira, Rogério não precisou trabalhar com as mãos, mas foi gigante com seu (dolorido) pé direito. A perfeita cobrança de pênalti contra o experiente Victor, no segundo tempo, quando o placar apontava 0 a 0, sob os olhares de 50 mil agoniados são-paulinos no Morumbi, garantiu mais um capítulo de sua fantástica história e a classificação do São Paulo para as oitavas de final da Libertadores.

Rogério vinha de falha contra o Strongest. Diante do Atlético, só a vitória interessava. Caso contrário, o time seria eliminado, amargaria prejuízo financeiro, Ney Franco perderia o emprego e o clube entraria em crise. O pênalti tinha capital importância. Ele não se escondeu, pegou a bola e converteu o gol mais decisivo do ano para o São Paulo. Se tivesse errado, agora estaria sendo tão malhado quanto Judas em Sábado de Aleluia.

O camisa 1 tricolor é bem mais do que só um (grande) goleiro. É líder, artilheiro e obcecado por vitórias como os mais fanáticos torcedores. Sua aposentadoria, anunciada para o fim de 2013, representa a perda de um extraordinário nome para nosso futebol, cada vez mais carente de ídolos.

Um eventual título da Libertadores seria o encerramento perfeito para sua carreira. O São Paulo, classificado com inesperada dificuldade depois de campanha medíocre na primeira fase, ganha força para o mata-mata contra o favorito Atlético. E tem chance de surpreender.

Algumas figuras do elenco podem levar a equipe à frente, como o excelente Osvaldo, o eficiente Jadson e o contestado (mas determinado) Ney Franco. E um importante personagem desse grupo ganha nova oportunidade de se redimir e fazer jus à fama: Luis Fabiano. A torcida dispensa seus gols contra Paulista, Bragantino, São Bernardo, e espera do atacante atuações convincentes em jogos (quando joga) que realmente valem.

Tudo o que sabemos sobre:
Eduardo Maluf

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.