Um país falido enfrenta a austeridade alemã

Alemanha e Grécia espelham crise europeia; gregos acham que são sufocados por planos impostos pelos alemães

NEIVALDO JOSÉ GERALDO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h05

É só futebol, mas hoje quando Alemanha e Grécia entrarem em campo em Gdansk será difícil não lembrar que a partida será disputada por um país virtualmente falido e a maior potência europeia, que compartilham a mesma moeda, o euro, e uma crise que parece não ter fim.

E é aí que começam os problemas, independentemente da diferença gigantesca entre as economias dos dois países - 2,6 trilhões a alemã e 203 bilhões a grega. O que está em jogo, não o de futebol de hoje, é um modelo para a retomada do crescimento europeu, que patina desde 2008, quando o Lehman Brothers quebrou e desencadeou a maior desastre econômico global desde a crise dos anos 1930.

A crise derrubou governos - entre eles o grego - e obrigou os xerifes da banca mundial FMI e BCE a resgatar três países (Irlanda, Portugal e Grécia, duas vezes) com pacotes bilionários, bancados em grande parte pela Alemanha.

A questão é que os alemães, tendo à frente a chanceler Angela Merkel - que assistirá à partida de hoje - cobram como contrapartida um pacote de austeridade que está sufocando os gregos, além do que os acusam de não terem feito a lição de casa (não equilibraram as suas finanças). Hoje, o país tem uma dívida que é 165% superior ao seu PIB.

Em outros países esse porcentual também é alto, mas eles conseguem se financiar no mercado. A Grécia, não. Daí os dois pacotes de socorro que, somados, chegam a 240 bilhões.

O desemprego disparou. Hoje, para 100 gregos com idade de trabalhar, 22 estão desempregados. Às vésperas das últimas eleições, realizadas no domingo, houve corrida aos bancos e aos supermercados. Temia-se que o país poderia abandonar o euro. A eleição do grupo conservador fez a Grécia ganhar um pouco mais de tempo.

Voltando ao futebol, os alemães são bem superiores, mas a Grécia, com seu famoso ferrolho, já ganhou uma Eurocopa, em 2004. Se eliminarem os alemães, voltam para Atenas como heróis, com a honra lavada, pelo menos no futebol. Passada a festa caem na dura realidade: Um país a dois passos do precipício.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.