Um parceiro para Ronaldo

Jonas é um bom nome para ajudar o Corinthians na Libertadores. O atacante, que nesta semana se desligou do Grêmio para acertar com o Valencia, da Espanha, tem características que, pelo menos em tese, o transformariam em bom companheiro para Ronaldo. Jonas não é craque - longe disso -, mas vive fase excelente há pelo menos seis meses, período no qual tem demonstrado competência incomum para fazer gols.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

O time comandado por Tite tem algumas carências - aliás, como qualquer outro adversário -, mas sem dúvida a ausência de um artilheiro é que chama mais a atenção. No Brasileiro do ano passado, Ronaldo provou que pode ser extremamente útil ao sair da área para cuidar da armação. Talentoso como é e dono de uma visão de jogo e precisão de passe únicas, o Fenômeno fez a bola chegar com qualidade ao ataque. Faltou alguém suficientemente competente para empurrá-la. Enfim, Ronaldo é um ótimo garçom, mas ainda lhe falta um cliente. O sonho de contar com Luís Fabiano ainda não foi esquecido, mas no momento a contratação de Jonas parece menos dispendiosa e mais fácil.

Mas o amigo deve estar se perguntando o motivo de esta coluna tratar do assunto Jonas no Corinthians, uma vez que em suas primeiras linhas foi citado que ele acertou com o Valencia. Pois bem, em minhas andanças por terras peruanas, onde acompanho a seleção brasileira no Sul-Americano Sub-20, ouvi de pessoa muito próxima à diretoria do Corinthians que a ida de Jonas para a Espanha poderia funcionar como uma ponte para a chegada dele ao Parque São Jorge. A troca de alguns torpedos e emails serviu para confirmar que existe o interesse, até mesmo pelo fato de Jonas estar, como disse um dirigente alvinegro, no "clima de Libertadores", uma vez que participou de toda fase de preparação com o Grêmio.

Não sei se Jonas será o parceiro de Ronaldo nesta temporada. Mas que o Fenômeno precisa de alguém com as características do ex-gremista ao seu lado, disso não tenho dúvida. Dentinho era para ser esse nome, mas ainda oscila e não deu sinal de que vai estourar.

Torcedor x dirigente. Na semana passada, alguns dias antes da eleição para a presidência do Palmeiras, bati um papo com Arnaldo Tirone, que venceu a disputa com tranquilidade poucas vezes vista na conturbada história política alviverde. Se por um lado a falta de experiência na condução do futebol pode lhe trazer contratempos e algumas noites de insônia, por outro o novo mandatário deixou boa impressão por ter qualidade que seu antecessor, Luiz Gonzaga Belluzzo, não demonstrou: Tirone parece separar bem o lado torcedor do lado dirigente. Não imagino o novo presidente protagonizar cenas de destempero. A preocupação em cuidar da saúde financeira do clube mostra, pelo menos nesse primeiro momento, que o grupo que assume o clube não está contaminado pelo "boleirês", ou seja, aquela compulsão por gastar e gastar apenas para ficar de bem com a torcida. Só para lembrar, em dado momento a administração passada chegou a pagar três treinadores ao mesmo tempo: Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Antônio Carlos. Cá entre nós, não há cofre que resista a isso.

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