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Antero Greco
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Um pra lá, outro pra cá

O Corinthians se encrencou de novo, o Palmeiras perdeu os 100% de aproveitamento, embora continue invicto. O São Paulo negou fogo outra vez. E a Lusa dá sinais de reação! Ganhou, e com folga. Assuntos para a crônica de hoje surgiram em abundância, como a chuva gostosa e bem-vinda que caiu em algumas regiões da cidade, no final da tarde de ontem.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2014 | 02h05

Mas destaque pra valer ficou para Mirita. Ouviu falar dele? Provavelmente, só se for da região de Ribeirão Preto ou fanático pelo futebol do interior. O rapaz é de lá - ou pelo menos começou no Botafogo e ainda teve passagem pelo Comercial. Zagueiro, 28 anos, rodado, foi contratado por exigência do presidente/craque Rivaldo, de olho nele havia algum tempo, desde que estava em Cuiabá.

Mirita teve momento de holofote total na carreira - e por um gol a favor e outro contra, no Mogi Mirim 1 x Corinthians 1. Ambos no primeiro tempo. Ele abriu o placar para o time da casa, numa cabeçada certeira, aos 37 minutos, e com direito a aplausos pela proeza diante de adversário esquisito no futebol e na cor do uniforme. (Camisa amarela com calção preto soou estranho. )

Ficou cheio de prosa e dono da zaga do Sapão. Mas a alegria dele durou pouco. Mais precisamente cinco minutos: aos 42, tentou cortar cruzamento de Uendel e mandou para as próprias redes. Novas palmas, agora da torcida alvinegra. De gozação - e de alívio, também, porque a coisa estava feia. Pra terminar a saga, em alto estilo, no final do jogo deu uma entrada pra rachar o Emerson e levou o vermelho!

Mirita não é o primeiro a entrar no álbum dos goleadores acidentais. Lembro de um Palmeiras x Corinthians, dos anos 1990, em que Oseas saiu ovacionado, vaiado, aplaudido ou sei lá o quê, por ter feito um lá e outro cá. Centroavante acostumado a cabecear, meteu uma testada com gosto num escanteio, a favor do Corinthians. Um golaço contra. Depois, ele empatou.

A bola tem pegadinhas. E o Mirita vai contar essa história por muito tempo. Os amigos vão pedir-lhe para repetir, um milhão de vezes, como foi aquele domingo em que se comportou, ao mesmo tempo , como Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis, libertador e traidor. Hoje pode ser chato falar disso. Com o tempo, será a medalha dele, o troféu maior que conquistou no futebol. Mancadas dessa significam vida.

E o Timão? A maré não está nada mansa para Mano Menezes e rapaziada. Mudanças na escalação se intensificam, como o aproveitamento de Zé Paulo ontem, além da permanência de Fagner e Uendel na defesa e até o aproveitamento de Ramirez. Na prática, porém, não alterou quase nada, a equipe continua na cadência desanimadora que se arrasta desde o ano passado.

No primeiro tempo, festejou gol contra. No segundo, viu o Mogi vir para cima com gosto, vontade e atrevimento. Bem desabusado. Mano mexeu, com as peças de sempre - Danilo, Guerrero, além dos indefectíveis Romarinho, Emerson. Difícil apostar em reviravolta. Só milagre para reanimar o torcedor. E o prodígio pode vir no clássico com o Palmeiras. Vitória no dérbi redime quase tudo.

Vacilo verde. O Palmeiras jogou mais do que o Audax, na fase inicial da partida no Pacaembu. Teve imponência suficiente para construir a sétima vitória em seguida no Paulistão. Porém, caiu no conto da presunção e levou susto com a vantagem do ajustado time de Osasco. O líder do campeonato teve forças para chegar ao empate e desperdiçou a chance da virada com o pênalti mal cobrado por Alan Kardec (e pra mim mal marcado pelo árbitro). Melhor um sobressalto na etapa de classificação do que nos duelos eliminatórios.

Gangorra tricolor. O São Paulo vai daqui para ali, pra cima e pra baixo. Numa hora joga com harmonia, para em seguida sair do tom. Foi assim, nos 2 a 1 para a Ponte, em Campinas. Jogou meia hora de bom futebol, depois caiu no lugar-comum.

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