Uma chuteira de quase R$ 200 milhões

É o valor aproximado da imagem de Cristiano Ronaldo, jogador mais badalado da partida de hoje, famoso por sua habilidade em campo, mas também por gostar de [br]carros caríssimos, grandes restaurantes e atrair mulheres de todo o mundo

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL DURBAN

Ele adora carros de luxo, só veste roupas das melhores grifes, não dispensa passeios de iate, frequenta os restaurantes mais caros e concorridos da Europa - quase sempre em espaço reservado, para não ser importunado, e acompanhado por belas mulheres. Cristiano Ronaldo é mais do que um ótimo jogador de futebol, um dos melhores da atualidade. É alguém que sabe levar a vida. Alguém cuja imagem ajuda a vender qualquer produto. É uma máquina de ganhar, e fazer ganhar, dinheiro.

O Cristiano Ronaldo que estará em campo hoje contra o Brasil é um jogador que ainda persegue boa exibição na Copa, competição na qual aportou com dois objetivos: ajudar Portugal a fazer boa campanha e, acima de tudo, "explodir", maneira que entende ser a ideal para retomar a condição de melhor jogador do mundo. Cedro que foi dele em 2008 e que agora está nas mãos de Messi.

Fora de campo, Cristiano Ronaldo também é explosivo. Por sua personalidade forte - é daqueles que não levam desaforo para casa - e pela agitada, e compromissada, vida. Quando não está a serviço da seleção ou do Real Madrid, passa horas em atividades promocionais. Participa de desfiles, eventos de patrocinadores, grava peças publicitárias. Vende de materiais esportivos a lubrificantes, passando por refrigerantes, roupas de grife, carros, produtos bancários...

Aos 25 anos, já é milionário. Quanto ganha anualmente com exatidão ninguém sabe. Mas o que se sabe é que são valores ímpares. Seu salário no Real (cerca de R$ 28,6 milhões por ano, o que representa R$ 2,38 milhões por mês, valores brutos sobre os quais paga 25% de imposto de renda) é o maior pago atualmente a um jogador de futebol.

Ser o mais bem remunerado do planeta, aliás, foi um dos fortes motivos que o levaram a trocar o Manchester United inglês pelo clube espanhol - até então, ganhava menos que o sueco Ibramovich e o brasileiro Kaká. "Jogadores especiais valem muito. Quando se é bom, se é especial, tem de ser mais caro do que os outros", justifica.

Recorde-se que o Real pagou ao Manchester a "bagatela" de 80,7 milhões de libras (cerca de R$ 215,5 milhões), na que se constituiu na maior transação do futebol mundial. Dinheiro já recuperado, considerando-se a renda bruta, só com a venda de camisas até maio deste ano. O clube madrilhenho anunciou que, só na capital espanhola, vendeu 1,2 milhão de camisas do português, a R$ 187 cada. Ou seja, arrecadou R$ 224,4 milhões - valor bruto.

O alto salário, no entanto, representa apenas uma parcela, talvez pequena, dos rendimentos de Cristiano Ronaldo. No Real Madrid, por exemplo, tem direito a 50% do que for arrecadado com sua imagem. E ganha muito como garoto-propaganda. Especialistas em marketing avaliam que a imagem do atacante vale entre R$ 176 milhões e R$ 198 milhões. A Revista France Football levantou outro número expressivo: em 2009 Cristiano Ronaldo faturou R$ 25,3 milhões com campanhas publicitárias.

O astro cumpre a agenda publicitária com dedicação até maior do que os compromissos com a bola dentro de campo. Ele tem consciência do que representa. "Sei que sou um dos principais personagens do ramo de entretenimento", define. "O futebol é isso, uma forma de entretenimento que fascina e alegra as pessoas. Quem está nele, e na condição de estrela, tem de saber o que é preciso fazer.

Bon vivant. O craque da bola e dos holofotes sempre arranja tempo, porém, para os prazeres da vida. Frequenta, por exemplo, os melhores restaurantes. "Adoro comer bem", resume. Mulheres também são uma rotina em sua vida. Sempre as belas e/ou famosas. Na lista de namoradas de Cristiano Ronaldo estão Paris Hilton, as modelos Merche Romero e Núria Bermudez e a apresentadora Nereida Gallardo. Consta que a beldade da vez é Irina Shayk, um modelo russa de 24 anos que lhe fez companhia num iate que singrou pelas águas da costa italiana por alguns dias no mês passado, antes de o craque se apresentar à seleção portuguesa para a Copa.

Outra paixão de Cristiano Ronaldo é pelos carrões. Em fevereiro, ao completar 25 anos, se deu de presente uma Porsche Panamera Turbo. Valor de mercado: R$ 440 mil. Como o português resolveu personalizar a máquina, pediu 11 modificações para deixá-la a seu gosto (entre elas o aumento da potência do motor de 500 cv para 580 cv). Cada mudança custou R$ 77 mil Ou seja: o valor do presentinho quase triplicou.

Cristiano tem na garagem modelos Ferrari, Audi, Bentley, Mercedes, pilotou recentemente um modelo Bugatti em um comercial. Mas no ano passado fez uma liquidação de carros de luxo. Vendeu um Bentley Continental GT Speed, um Porsche Carrera 911 e um Mercedes C220 CDI, a preços que variam de R$ 220 mil a R$ 814 mil. O português não entrou no ramo de carros usados. Negociou-os ao trocar o Manchester pelo Real Madrid, porque como eram carros fabricados para o mercado inglês, tinham o volante do lado direito.

Amante da velocidade, Cristiano Ronaldo admite que se deixa seduzir pela potência dos carros ao adquiri-los. E ao destrui-los também. Em janeiro de 2009, deu "perda total" numa Ferrari 599 GTB que enfiou num muro em Londres. Estava voando em plena rua, disseram testemunhas.

O sucesso é encarado com naturalidade pelo garoto nascido em 5 de fevereiro no Funchal, cidade na Ilha da Madeira, mais novo dos quatro filhos do jardineiro José Dinis e da cozinheira Maria Dolores.

Dinis, morto em 2005 em consequência de cirrose, pôs Ronaldo no nome do menino em homenagem a Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos. Cristiano Ronaldo teve infância humilde, mas feliz. Sempre foi irrequieto, rebelde, atrevido. Certa vez, interpretou São Francisco de Assis numa peça estudantil mesmo tendo um comportamento nada franciscano. Talvez tenha sido o que de melhor fez na escola, pois detestava estudar. Mas adorava jogar bola. O talento incomum apareceu no Andorinha, time do Funchal que lhe permitiu dar os primeiros chutes. Aos 11 anos, estava nas categoria de base do Sporting (ironia para quem até então chorava nas derrotas do Benfica). Aos 18, o Manchester United pagou R$ 32,5 milhões por seus direitos.

Considerado egoísta por uns, mascarado por outros, adorado por milhões, Cristiano não tem coração tão duro como às vezes parece. Em 2005, por ocasião do tsunami que arrasou vários países, compadeceu-se de um menino indonésio de 11 anos e ajudou a comprar uma nova casa para sua família - e convenceu companheiros do Manchester a participar do rateio. Também doou artigos esportivos que foram vendidos e resultaram em R$ 194 mil de ajuda às vítimas.

Em janeiro, ficou abalado com as chuvas que destruíram o Funchal - e o campo do Andorinha. Não fez alarde, mas várias pessoas da região dizem que Cristiano contribuiu com generosa ajuda aos desabrigados. Ele não toca no assunto, mas sempre fala do amor pela local. "Posso estar onde for no mundo, não vou esquecer jamais minha infância no Funchal."

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