Uma final no Morumbi

É pouco provável que o vencedor do clássico de quarta-feira à noite entre São Paulo e Corinthians termine a 25.ª rodada na liderança. Isso porque o Vasco recebe o Atlético-GO e é, neste momento, o mais forte entre os concorrentes ao título. Mas o perdedor certamente sairá do Morumbi com extrema dificuldade para erguer a cabeça e seguir brigando pela taça. Ontem, a derrota do Corinthians aumentou a ideia de que a força do primeiro turno não voltará e, pior, foi construída em defeitos da defesa que podem ser decisivos enfrentando as características dos jogadores do São Paulo. O contra-ataque é a principal delas.

Paulo Vinicius Coelho, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

Como no primeiro turno, a primeira providência de Muricy Ramalho foi utilizar um sistema de jogo idêntico ao corintiano. Na gíria dos treinadores, isso se chama "espelhar o jogo". Usou o 4-2-3-1, com Ibson aberto pela direita, Neymar pela esquerda, Alan Kardec centralizado, eventualmente invertendo sua posição com Ibson.

Com o jogo estabelecido assim, os duelos individuais poderiam decidir. Enquanto Neymar resumiu seu jogo ao lado esquerdo, o Santos sofreu. Quando fez uso de sua liberdade para se deslocar pelos dois lados do campo, resolveu.

Por duas vezes, Neymar largou a ponta-esquerda e puxou contra-ataques mortais por dentro. Em velocidade contra os volantes Paulinho e Ralf, o Corinthians é presa fácil. É também a jogada característica de Lucas. Pode ser decisivo na quarta.

O São Paulo é mais forte quando contra-ataca do que quando precisa abrir espaços nas defesas rivais, como fez contra o Ceará, sábado à noite. Para abrir defesas, falta um centroavante como Luís Fabiano, que não deve voltar a campo no meio de semana.

Com o Botafogo e o Flamengo perdendo pontos um para o outro no clássico do Rio, o Fluminense derrotado na Bahia, parece provável que o vencedor do clássico duele com o Vasco pelo título.

CONFIRA

A força do Vasco. Cristóvão Borges, o assistente técnico de Ricardo Gomes, foi jogador do Corinthians no Paulistão 1986. Como técnico, mantém a filosofia de Ricardo Gomes. Há partidas em que sua equipe atua com cinco no meio de campo, num 4-2-3-1. Em outras, duas linhas de quatro jogadores no meio. Foi o que aconteceu no sábado. Éder Luís pela direita, Felipe Bastos pela esquerda, Rômulo e Eduardo Costa como volantes. É isso o que libera Diego Souza, o dono do time na reta de chegada do Brasileirão. Sábado, Diego fez sua melhor partida no campeonato.

A briga do Palmeiras. De todas as brigas do Palmeiras - a última é entre os que dizem que o Palmeiras tem bons jogadores em suas divisões de base com Felipão - a única que conta é pela Libertadores. Como Fluminense e Flamengo perderam pontos, o time ainda tem chance de classificação. Mas os problemas variados atrapalham. Domingo passado, as suspensões. Ontem, as expulsões. Fica difícil!

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