Uma genial brasileira encanta os Estados Unidos

Desde o início de 2009 em Los Angeles, Marta, de 23 anos, faz sucesso e ganha popularidade

Alan Rafael Villaverde, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2009 | 00h00

O sol escaldante faz os termômetros acusarem 34 graus pouco antes do meio-dia de uma quinta-feira ordinária. No campo, mulheres atraem os olhares de curiosos com seus malabarismos, risadas e jogadas ensaiadas durante um treinamento. Mas, no meio delas, uma se destaca: a brasileira Marta, principal jogadora do Los Angeles Sol, time que lidera a WPS (Women''s Professional Soccer), principal liga de futebol feminino dos Estados Unidos.Entre os curiosos estava o jogador francês Djibril Cissé, extasiado por ver a brasileira de 1,65 m mostrando sua habilidade com lançamentos e conclusões precisos. "A Marta é diferente, sempre treina mais que as outras, por isso é a melhor do mundo", disse um dirigente do clube ao atacante. Após o treino, dois meninos esperavam por ela com olhares característicos de tietes - um com uma bola a ser autografada; o outro com a esperança de ter as chuteiras da craque, que, com um largo sorriso, driblou o pedido um tanto inesperado.A admiração por Marta não para na tietagem. Além de outdoors e campanhas televisivas, ela é vista em produtos licenciados, como bonecos e camisas, e assegura ao Sol a melhor média de público da WPS - 6.298 em 10 jogos disputados em seu estádio. "Minha chegada foi muito legal. Havia um monte de torcedores, e fui apresentada a eles pelo Kobe Bryant (astro da NBA), que disse ser meu fã. Eu adorei."Em Los Angeles desde o começo de 2009, a alagoana de Dois Riachos vê seu sonho se transformar em realidade. "Tenho praticamente tudo o que eu gostaria de ter e que não tinha na Suécia. O clima é parecido com o do Brasil, moro perto da praia (Redondo Beach), e, quando não estou a fim de fazer comida, tem restaurante brasileiro para comer um feijãozinho com arroz", comentou Marta, que conviveu com o clima frio da Suécia de 2004 a 2008, quando defendeu o Umea.A boa vida nos EUA não é prejudicada nem pela dificuldade de aprender uma nova língua - no caso, o inglês. Sempre brincando, Marta se comunica com suas colegas. Até o "portunhol" é utilizado. "É lógico que não entendo tudo o que dizem e algumas vezes é difícil de me expressar, e vai na mímica, mesmo. Tem algumas meninas (da equipe) que entendem espanhol e utilizo portunhol, mas é bem mais fácil do que foi na Suécia, onde depois de um tempo aprendi a falar sueco."Outro ponto que poderia dificultar sua adaptação é a saudade da família e dos amigos, que também foi superada - agora com a ajuda da tecnologia. "Sempre que tenho saudade eu me comunico com minha família e amigos pela Internet. E, quando eu quero ver algo do meu país, eu assisto a canais brasileiros", revelou a jogadora, que, mesmo longe, não consegue deixar de lado o clube de seu coração. "Eu não perco um jogo do Corinthians." Marta, até mesmo, acertou como seria o desfecho de seu time na final da Copa do Brasil. "O Corinthians será campeão com um empate com gols."Adaptando-se à vida americana, Marta começa a pensar até na aposentadoria, apesar de ter 23 anos. "Só depende do futuro, do que acontecer, mas espero que sim (aposentar no Sol), apesar de a gente nunca saber." A brasileira tem contrato com o clube até o fim de 2011.Enquanto a aposentadoria é pensamento distante e vago, a brasileira desfruta do clima, do mar, da comida e da estrutura para perpetuar o nome na terra do futebol feminino e ver realizar o sonho de menina, época em que os empecilhos para vencer na carreira pareciam insuperáveis. Como diz parte de um refrão da música De repente, Califórnia, de Lulu Santos: "Na Califórnia é diferente, irmão. É muito mais do que um sonho..."

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