''Uma honra entrar para a história''

Poliana Okimoto: bronze na maratona aquática; A atleta paulistana torna-se a primeira nadadora do Brasil a conquistar medalha em Campeonatos Mundiais

Entrevista com

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

Depois de quatro anos de dedicação quase exclusiva às maratonas aquáticas, Poliana Okimoto não tem do que se queixar. Ontem, na cidade de Ostia, arredores de Roma, a paulistana de 26 anos, que colocou as provas de 800m e 1.500m em segundo plano, se tornou a primeira mulher a ganhar medalha no Mundial de Desportos Aquáticos para o País. Numa chegada emocionante, Poliana ficou com o bronze nos 5 km da maratona aquática, após 56min59s3 de prova, 4s atrás da campeã, a australiana Melissa Gorman. O feito também encerrou jejum de 15 anos sem conquistas do Brasil, que, em 1994, obteve duas medalhas de bronze. Mas a nadadora nem teve tempo de comemorar. Hoje, às 4 horas (de Brasília), já cairia na água novamente para disputar os 10 km, prova da qual é líder do ranking mundial. Por isso, passou a tarde de ontem descansando e falou ao Estado antes de jantar.Você é a primeira mulher brasileira a subir no pódio de um Mundial. O que isso representa?É maravilhoso, uma honra entrar para a história do País. Estou orgulhosa. A natação feminina brasileira precisava de um grande resultado e fico feliz em saber que estou ajudando a modalidade a crescer. Ídolos e medalhas sempre aumentam o interesse pelo esporte.A medalha veio com muito esforço. Como foi a prova?Foi uma disputa muito forte, do começo ao fim. Entrei nos últimos 200 m com o 5º lugar, mas quando achei uma brecha e vi a chance de buscar o bronze, tirei força de onde podia. Essa é a característica do brasileiro, ganhar sempre na raça, na garra, sem desistir. Sua conquista também encerrou um jejum de 15 anos de medalhas brasileiras em Mundiais.Eu já tinha sido medalhista mundial, mas no específico da modalidade (ficou com a prata nos 5 km e nos 10 km no Mundial de Nápoles, em 2006), mas queria muito ganhar uma medalha aqui. Esse resultado veio depois de uma preparação bem planejada, bem feita, com muitos treinos, até na altitude, e a disputa de várias etapas da Copa do Mundo.Apesar da medalha nos 5 km, você considera os 10 km como sua especialidade? Afinal, você é líder do ranking mundial.Tenho mais facilidade nos 10 km porque é uma distância padrão das competições. A prova dos 5 km é disputada apenas nos mundiais, então são pouquíssimas as chances de nadá-la. Nos 10 km, há um circuito mundial e também está no programa da Olimpíada. Por isso, posso nadar mais vezes a distância e me preparar melhor.A instabilidade do clima em Ostia ocasionou muitas mudanças no programa da prova. Como você lidou com essas alterações? A primeira mudança (transferência do início da competição do domingo para terça) foi boa, porque cheguei em cima da hora e pude me adaptar ao fuso. O problema foi a segunda mudança, que colocou as provas em dias seguidos, sem muito tempo para descanso. Isso é muito ruim. A prova dos 5 km teve um ritmo muito forte e tentei descansar o máximo possível. Mas não acho que isso vá me prejudicar para os 10 km, porque muita gente também nadou os 5 km. Espero comemorar amanhã (hoje) mais uma vez.

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