Uma nova ordem das forças

Brawn, Toyota e Williams mostram ter carros para competir de igual para igual com Ferrari e McLaren

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Quem estava habituado a ver as vitórias serem decididas quase que exclusivamente entre os pilotos da Ferrari e da McLaren é bom começar a se acostumar com outra realidade, já a partir do GP da Austrália: o novo regulamento modificou a ordem de forças na Fórmula 1. Os treinos livres da etapa de abertura do Mundial, sexta-feira, e a sessão de classificação da prova, ontem, mostraram que na corrida da madrugada deste domingo, às 3 horas de Brasília (com transmissão da TV Globo), no circuito Albert Park, a lista de candidatos a vencer inclui ainda a Ferrari, não tão forte, mas tem agora a estreante Brawn GP, Toyota e Williams. Curiosamente são as escuderias que tiveram seus carros protestados sob a alegação de possuir a porção final do assoalho irregular (veja abaixo).Se o objetivo da FIA com as novas regras era o de misturar as cartas, romper a quase hegemonia que Ferrari e McLaren impuseram nas últimas edições, é bem provável que será atingido. As 58 voltas da prova de Melbourne devem confirmar a boa notícia de que mais equipes têm, agora, acesso às vitórias. "Mas não deixa de ser sintomático que os pilotos da Brawn, Toyota e Williams estejam entre os mais rápidos", alertou Flavio Briatore, da Renault. O recurso contra o difusor dos carros da Brawn, Toyota e Williams deverá ser julgado apenas antes do GP da China, dia 19, e depois da etapa de Sepang, na Malásia, dia 5. Isso quer dizer que o resultado da corrida da próxima madrugada bem como a do GP da Malásia terão de aguardar o apelo de Ferrari, Renault e Red Bull contra Brawn, Toyota e Williams ser julgado pelo Tribunal de Apelações da FIA, em Paris.As atrações da prova de logo mais são muitas. A primeira delas é a tão desejada pluralidade de candidatos com chances reais de se classificar no pódio. E as dificuldades impostas a tradicionais frequentadores, como a McLaren do campeão do mundo, Lewis Hamilton, claramente limitado pelos desequilíbrios do modelo MP4/24.Depois, o regulamento criou novas variáveis (como o uso de um sistema de recuperação de energia capaz de oferecer 80 cavalos a mais de potência, a fim de facilitar as ultrapassagens), reintroduziu os pneus lisos (slick) e novas regras para o safety car. Agora é possível entrar nos boxes quando ele é acionado, mas o piloto tem de respeitar os limites de velocidade na pista.No caso específico da corrida, há ainda preocupações importantes: "A largada será às 17 horas daqui, quando o sol está se pondo e nossa visibilidade cai muito", explicou Rubinho. "Temos também dificuldades com os pneus." Dos três representantes do Brasil, dois estão otimistas. "Acho que agora as pessoas entenderam que não estávamos blefando na pré-temporada", comentou Rubinho, da Brawn. Nos treinos livres do GP da Austrália foi o segundo mais rápido. Felipe Massa continua confiante, mas admitiu que "somar bons pontos aqui em Melbourne pode também ser um bom negócio". Já Nelsinho Piquet, da Renault, é mais comedido: "Sabíamos que essa pista não seria favorável ao nosso carro. Deverá ser uma prova de sobrevivência. Ficarei feliz se fizer pontos."

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