Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Uma prova de fogo para Felipão, um motivador de primeira linha

Técnico vai precisar de seu carisma para formar uma seleção unida e fazer a torcida gostar do time

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h08

SÃO PAULO - Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas é evidente que Luiz Felipe Scolari não acredita nisso. Em 2001, ele assumiu o comando da seleção brasileira em um momento horroroso para o time nacional, que corria risco de não ir à Copa do ano seguinte. Pouquíssima gente apostava que o gaúcho seria capaz de arrumar a casa e levar o Brasil ao título mundial no Japão e na Coreia do Sul, mas foi exatamente isso o que ele fez. Agora que a seleção está de novo em crise, e poucos creem que seja possível arrumar a casa até o Mundial do Brasil, daqui a um ano e meio, Felipão aparece para tentar repetir a dose.

A receita que o treinador vai tentar usar em sua segunda passagem pela seleção deverá ser a mesma que deu certo na primeira. Ou seja: escolher jogadores em quem confia e formar com eles um elenco coeso, em que todos rezam por sua cartilha. E não se deve esperar por grandes transformações na maneira de jogar da seleção, já que o ponto mais forte de Felipão é mesmo a sua habilidade como motivador.

A principal diferença entre a Copa de 2002 e a de 2014 é que o próximo Mundial será disputado no Brasil - o que é uma grande diferença, diga-se de passagem. Assim, Felipão usará a experiência que adquiriu na Eurocopa de 2004, sua primeira grande competição como técnico de Portugal, país que organizou aquela competição. Apostando em seu carisma, o treinador pediu aos portugueses que colocassem para fora o amor pela pátria e apoiassem o time, e foi exatamente isso o que aconteceu. Durante a disputa do torneio, bandeiras de Portugal estavam por toda a parte e o país foi tomado por um clima festivo poucas vezes visto em sua história. Só faltou o título, que não aconteceu por causa de uma surpreendente derrota para a Grécia na final.

Felipão sabe que a torcida brasileira exige demais da seleção - e não tem muita paciência quando ela não mostra um bom futebol. Por isso, vai tentar ganhar os torcedores do mesmo jeito que fez em Portugal. Ele espera criar um clima de união no Brasil durante a Copa do Mundo porque seria péssimo para a seleção ser vaiada em casa na mais importante competição do futebol.

PRAGMATISMO TOTAL 

Quem deseja ver a seleção jogar um futebol bonito na Copa do Brasil não deve ter muitas esperanças de que isso aconteça. É um tanto exagerado imaginar que Felipão fará o Brasil jogar à base de bolas paradas, como fez no Palmeiras, já que ele terá à disposição gente muito mais talentosa do que tinha no clube alviverde, mas o técnico gaúcho é daqueles que buscam o resultado acima de tudo e certamente vai montar uma seleção forte na defesa e apostar tudo no talento de seus atacantes, principalmente Neymar.

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