Uma rivalidade sem dois mitos do gol

Há quase seis anos os times não jogavam sem Marcos e Rogério Ceni. Um já se aposentou e o outro está machucado

O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h02

O torcedor que assistir ao clássico de hoje à tarde em Presidente Prudente vai notar uma cena bastante incomum. Esta será a primeira vez em quase seis anos que o Choque Rei não terá Marcos e Rogério Ceni, goleiros que marcaram a história recente dos dois clubes.

No último encontro entre eles, em 20 de agosto de 2011, o resultado foi o empate por 1 a 1. Agora, com Marcos aposentado, o Palmeiras vê uma briga pela posição entre Deola e Bruno. Já Rogério, com uma lesão no ombro, só volta aos gramados daqui seis meses e vê Denis ficar sozinho com a vaga no gol, até por não ter substituto à altura.

A última vez que o clássico não contou com Rogério e Marcos foi em 24 de maio de 2006. Na época, eles foram substituídos respectivamente por Bosco e Sérgio e o São Paulo goleou o rival por 4 a 1 no Morumbi. Depois disso, foram 18 clássicos com a participação dos ídolos, dez com os dois atletas juntos. Enquanto o palmeirense desfalcou seu time em sete ocasiões, Rogério só ficou fora em um jogo.

"Ceni e Marcos eram as duas cidadelas, a segurança, instrumentos de precisão. Sentimos falta da experiência deles. Os que estão agora, até se adaptarem, vão carregar a lembrança dos experientes. Mas só a lembrança não nos serve. Precisa de maturidade, e o sofrimento faz parte deste processo", diz Leão.

Depois da aposentadoria de Marcos, parecia que Deola ficaria tranquilo no gol, mas com duas falhas que resultaram em gol (contra o XV de Piracicaba e Guaratinguetá) Felipão resolveu testar Bruno na última rodada, no 1 a 1 contra o Oeste.

Mas o treinador faz de tudo para não "queimar" nenhum dos seus goleiros e avisa que eles não devem sentir o peso de substituir o pentacampeão mundial com a seleção brasileira. "A pressão é só por jogar bem, para o técnico escolher seu goleiro. A torcida não vai mudar nada meu pensamento", disse Felipão, principalmente sobre Deola, que chegou a ser vaiado em alguns jogos. "Eles não têm de substituir o Marcos, têm apenas de jogar a bola deles."

Apesar de Bruno ter sido titular na última partida, ele deve voltar ao banco hoje. "Eu e o Deola temos uma relação boa e brigamos pela vaga desde que chegamos ao Palmeiras", contou, sem se esquecer de seu grande ídolo. "É difícil substituir alguém insubstituível. Não vai existir outro Marcos."

Única opção. Se Felipão tem dois goleiros para escolher - e até outros, porque sempre elogia Fábio e Raphael, os outros reservas -, Emerson Leão não tem um leque tão grande. Mas não faltou pedidos à diretoria para mudar tal cenário.

Desde que Rogério se machucou, antes mesmo da estreia no Estadual, o treinador começou seu discurso de que o São Paulo precisaria contratar outro goleiro. Não foi atendido - nem será - e terá de se virar mesmo com Denis - os jovens reservas Léo e Leonardo ainda não estão prontos para serem titulares.

Irregular, Denis tem alternado grandes defesas com falhas, especialmente na bola aérea. No último jogo, contra o Bragantino, o goleiro saiu mal e facilitou a vida dos rivais no primeiro gol. Nos clássicos, porém, Denis tem se destacado - contra o Corinthians, suas boas intervenções evitaram uma derrota maior. / B.D. e D.A.B.

Duelos no gol

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