Uma vitória que dá esperança

Com atuação segura do goleiro Felipe e com gol do zagueiro Betão, o Corinthians bateu ontem o São Paulo por 1 a 0, no Morumbi, foi a 37 pontos e mostrou poder de reação, embora continue entre os quatro últimos

Giuliano Villa Nova, O Estadao de S.Paulo

08 de outubro de 2007 | 00h00

O Corinthians não se importou com o favoritismo do São Paulo e contou com ótimas defesas do goleiro Felipe e com o oportunismo do zagueiro Betão para vencer por 1 a 0, ontem, no Morumbi, e dar um passo decisivo na luta contra o descenso. Lento e cheio de si, o líder do Campeonato Brasileiro teve uma de suas apresentações menos convincentesna competição e viu cair de 12 para 11 (63 a 52) a vantagem sobre o Cruzeiro, que empatou com o Goiás, sem gols."O São Paulo está de parabéns pelo título, que deve ganhar, mas precisávamos da vitória de qualquer jeito", disse Felipe. Emocionado, Betão quase não conseguiu comentar o gol que marcou e decidiu o clássico. "O São Paulo atacou o tempo todo, mas seguramos o resultado até o fim", observou.Os são-paulinos lamentaram o fim do tabu sobre o rival - não perdiam desde 2003 - e o segundo tropeço seguido em poucos dias, mas garantiram que não vão se abalar. "Vão falar que estamos em crise, mas isso não vai acontecer", disse o zagueiro Alex Silva. "Pensamos que ganharíamos na hora em que quiséssemos", reconheceu. "Deveríamos respeitar mais o adversário."Sem Leandro, suspenso, o técnico Muricy Ramalho armou o São Paulo com André Dias na proteção a Hernanes e Richarlyson, que aproveitaram e foram bastante ao ataque. No primeiro tempo, a estratégia deu certo, pois os avanços dos volantes sufocaram o Corinthians e o líder criou algumas chances de gol. No entanto, faltou objetividade. Aos 27 minutos, o problema ficou evidente: Aloísio, que fez bem o papel de referência no ataque, puxou o contragolpe e serviu Souza, que chutou muito mal, fraco.O Corinthians, cauteloso, só ameaçou em algumas bolas paradas e teve em Felipe sua principal figura. Aos 38, o goleiro fez excelente defesa, numa falta bem cobrada por Rogério Ceni. Pouco depois, o camisa 1 são-paulino sentiu uma lesão na panturrilha direita. Havia a possibilidade de ser substituído, mas voltou a campo e passou o segundo tempo com dores. Curiosamente, não fez nenhuma defesa difícil. Mesmo assim, sofreu o gol, na única chance que o adversário teve, já no fim do jogo. Mas a persistência de Rogério pode lhe custar a participação nos jogos contra o Millionários, da Colômbia (ausência quase certa), depois de amanhã, pela Sul-Americana, e diante do Fluminense, sábado, no Rio.DEU TUDO CERTONo intervalo, o técnico Nelsinho Baptista tentou consertar os erros do time. "Temos de nos movimentar, parece que estamos com receio de jogar", opinou. A equipe parece que ignorou o recado na etapa final. E, para piorar o estado emocional dos alvinegros, o lateral Carlão sofreu traumatismo craniano num choque com Richarlyson, saiu de campo desacordado, de ambulância.Mas era o dia do zagueiro Betão, que ainda não tinha festejado vitória sobre o São Paulo. O defensor teve atuação segura, não falhou em nenhum momento e ainda viu os rivais vacilarem. Borges teve duas ótimas chances - numa delas, chutou longe e, na outra, Felipe fez excelente intervenção. O tímido ataque tricolor perdeu Borges, machucado, que deu lugar ao improdutivo Diego Tardelli.Faltavam quatro minutos para o fim da partida, quando os são-paulinos pagaram pela apatia - e pela desatenção da defesa, que tinha quatro zagueiros. Gustavo Nery cobrou falta na área, Fábio Ferreira desviou e Betão, de cabeça, mandou para as redes. A festa foi alvinegra no Morumbi.

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