Felipe Dana/AP - 1/12/2011
Felipe Dana/AP - 1/12/2011

União e Fifa unem-se para 'fritar' Ricardo Teixeira

Estratégia é aproximar-se dos inimigos do cartola e deixá-lo mais distante das decisões

Jamil Chade - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h03

ZURIQUE - A Fifa e o governo brasileiro lançam operação para afastar Ricardo Teixeira das decisões da Copa de 2014 e fechar acordo sobre os pontos pendentes até março. Na segunda-feira, Pelé, com um mandato da presidente Dilma Rousseff, se reuniu com a cúpula da Fifa, em Zurique. Nesta terça, foi a vez do presidente da entidade, Joseph Blatter, receber de forma discreta o deputado Romário para discutir a aprovação da Lei Geral da Copa no Congresso e uma estratégia de colaboração.

O Estado apurou que Romário e Blatter tentarão montar um grupo formado por integrantes do Congresso, um representante de Dilma, o ministro do Esporte e o ministro da Fazenda para, nas próximas semanas, fechar um acordo. A CBF não estará representada.

O grupo trabalharia para que, em março, Blatter e Dilma possam anunciar o entendimento em um evento em Brasília. "Chegou a hora de fechar um acordo", afirmou Romário ao Estado, quando deixava a reunião.

Blatter e Teixeira estão envolvidos em uma verdadeira guerra pelo poder. O suíço ameaça divulgar documentos que mostrariam subornos ao brasileiro. Teixeira, por sua vez, além de ter em mãos o maior evento da Fifa - a Copa do Mundo - ameaça implicar Blatter nos escândalos.

A estratégia da Fifa passou a ser a de se aliar a antigos e atuais desafetos de Teixeira, principalmente entre os jogadores, como forma de afastá-lo gradualmente das decisões. No Palácio do Planalto, a presidente Dilma mantém relação mais distante com Teixeira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A opção de Dilma foi a de passar a tratar diretamente com a Fifa. Nesta terça, o Estado revelou que Pelé chegou a declarar que havia chegado para "apagar o fogo" e que tinha autorização de Dilma para fazer um acordo com a Fifa. Romário contou que foi a entidade que o procurou, em mais um sinal de que Blatter está ativamente buscando os desafetos de Teixeira.

AFASTAMENTO

Sobre o futuro do presidente da CBF, tanto Romário como a Fifa insistem que o cartola não teria mais condições de continuar liderando os trabalhos para a Copa. Romário garante que não falou sobre o assunto com Blatter. Mas mantém posição dura.

"Ele (Teixeira) deveria pedir um afastamento para tratar da sua saúde e nesse período chegaríamos a acordos com a Fifa", explicou Romário. "Assim, quando ele voltar, se é que ele voltará, teremos tudo solucionado."

Romário defende que o Comitê Organizador Local (COL) seja liderado por um técnico, auxiliado por cinco ou seis ex-jogadores. "Isso da credibilidade."

CÚPULA BOLEIRA

Do lado da Fifa, a posição é parecida. Jogadores como Cafu e Zico são cotados para fazer parte do novo grupo que tomaria o poder para organizar o Mundial. A notícia sobre o envolvimento eventual de Cafu chegou até a Itália. Ontem, o diretor de esporte do Milan, Umberto Gandini, buscava confirmação sobre a notícia que já estava circulando na Fifa.

A CBF garante que Teixeira participará das reuniões que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, conduzirá no Brasil na semana que vem.

Enquanto o novo grupo não é formado, Romário deixa claro que todos terão de ceder para que haja um acordo. O deputado levou a Blatter uma carta do presidente do Senado, José Sarney, e insistiu que o Brasil não aceitará algumas das exigências impostas pela Fifa no setor de marketing e ingressos.

Um dos pontos que Romário exige mudança é na questão dos ingressos para idosos. A CBF prometeu 32 mil entradas gratuitas para deficientes e ainda a meia-entrada para idosos. "Mas o setor escolhido para essa redução é um dos mais caros", explicou o deputado. Romário garante que o gesto da CBF de fazer a doação de ingressos e ajudar os idosos não será suficiente para que ele fique satisfeito. "Essa doação foi apenas um detalhe", disse.

Outra questão em aberto é a multa que a Fifa quer cobrar de torcedores que comprarem entradas e não aparecerem nos estádios. "Não vamos aceitar isso", afirmou. Para Romário, o problema é que o acordo entre CBF, Fifa e governo foi assinado há quatro anos. "Desde então, novas leis entraram em vigor no País", explicou.

O craque garantiu que os cartolas da Fifa mostraram disposição em adequar suas exigências às leis nacionais. "Saio satisfeito e com a garantia da Fifa de que estão dispostos a sentar e superar o impasse. A Fifa entendeu que as coisas mudaram no Brasil. Vamos ter um acordo que não vai prejudicar nem a Fifa e nem o Brasil."

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