Andreza Galdeano/Estadão
Andreza Galdeano/Estadão

Único representante sueco na divisão de acesso do Circuito Mundial de Surfe tem raízes no Brasil

Kian Martin, 18 anos, tem pai brasileiro e fala português com sotaque carioca

Andreza Galdeano, enviada especial a Fernando de Noronha, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 10h40

Kian Martin, único representante sueco na divisão de acesso do Circuito Mundial de Surfe, tem raízes brasileiras. O surfista de 18 anos nasceu na Suécia, foi morar na Indonésia com apenas duas semanas de vida e é filho de um brasileiro. "Todo mundo me pergunta: de onde você é? É muito difícil responder, porque eu tenho que explicar tudo", conta Kian em entrevista ao Estado durante o Oi Hang Loose Pro Contest, realizado no arquipélago de Fernando de Noronha.

Quem não conhece Kian sequer imagina que o surfista é sueco. Ele fala português perfeitamente e tem até um sotaque carioca. Quando questionado sobre o idioma, ele ri. "Todos acham engraçado o fato de eu não parecer um estrangeiro".

O sotaque carioca tem explicação. Quando está no Brasil, o destino do surfista é o Rio de Janeiro, onde mora a sua irmã. Já o português perfeito, ele aprendeu ouvindo o seu pai falar.

"Eu sempre escutava o meu pai falar e entendia tudo, mas eu ficava com vergonha de repetir. Há dois anos eu não falava nada de português. Aprendi o idioma sozinho, nunca estudei. Eu consigo escrever também", conta Kian, que fala outros três idiomas. "Eu falo inglês, indonésio, português e um pouco de sueco".

Para ele, o idioma mais fácil de aprender foi o português. Os outros, ele precisou estudar. "O mais difícil é o sueco, até agora eu não consigo falar direito", diz. Na Suécia mora a sua mãe, mas ele convive com o pai desde a separação dos dois, ainda quando criança.

A ligação com o surfe veio da relação de amizade e companheirismo que Kian tem com o pai brasileiro. "Eu moro com o meu pai em Canggu (Vila em Bali, na Indonésia). Ele gosta de surfar também, então a gente surfa todos os dias. Lá sempre tem ondas e eu acho bem maneiro", conta. Kian tem o pai como inspiração. "Desde criança ele sempre me incentivou. Ninguém falou para eu começar a surfar, foi natural, eu nasci para isso", explica.

Esta é a segunda vez que Kian está em Fernando de Noronha. "Só de estar aqui eu estou feliz da vida. É um paraíso. Tem altas ondas. A galera daqui é muito gente boa". Na competição, Kian, que ocupa a 216ª posição da divisão de acesso à elite mundial, acabou eliminado na bateria do atual campeão Jadson André. Sua média de pontos foi de 5,97, em quarto lugar. Já o potiguar ficou na liderança somando 12,50.

*A repórter viajou a convite da organização do evento

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