Único título, há 26 anos, teve como herói um paraguaio

Meio-campista Romerito chega durante a competição e se torna, ao lado de Parreira, o grande nome da histórica conquista

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

O Conca daquela época era paraguaio. O artilheiro tinha o mesmo nome de um atual goleador da equipe, mas não sofria com jejum de gols. O técnico também era um "nome de respeito"". O Fluminense campeão brasileiro em 1984 tinha como grande ídolo Romerito, um meia inteligente e de técnica apurada, vibrava com os gols de Washington, negro esguio de ótima presença na área e era comandado por Carlos Alberto Parreira.

O título nacional conquistado 26 anos atrás foi o ponto alto de uma equipe que sagrou-se tricampeã carioca (1983/1984/1985) e marcou época por ter uma dupla de ataque, formada por Assis e Washington, conhecida como "Casal 20"", referência a um seriado que fazia sucesso na TV.

Aqueles eram tempos de Brasileiros com fórmulas mirabolantes, aberrações como a que permitia a time da Série B participar da Série A no mesmo ano - o Uberlândia entrou na elite na terceira fase -, repescagem... Foram 41 times no total. A disputa de 1984 teve três fases iniciais, quartas de final, semifinais e final.

O Fluminense tinha um goleiro seguro, Paulo Vitor; dois excelentes defensores, o zagueiro Ricardo Gomes e o lateral-esquerdo Branco; um meia cerebral, Delei; e o "Casal 20"". Mas a equipe deslanchou mesmo a partir de dois fatos: a chegada de Romerito (estreou na vitória por 1 a 0 sobre o Santo André, na primeira partida da terceira fase) e a contratação de Parreira (assumiria o comando dois jogos depois).

Ele substituiu Carbone, fritado havia meses. Os dirigentes alegavam entender que, com o então técnico, o time não seria campeão. O treinador, por sua vez, os acusava de tentar interferir na escalação. Os cartolas esperavam uma série de insucessos para defenestrar Carbone. Mas como o Flu perdia pouco (foram duas derrotas em 26 partidas), tomaram a decisão após um 0 a 0 com o Operário-MS.

Parreira dirigiu o time nos últimos 10 jogos. De fato, deu nova roupagem à equipe, que tornou-se mais sólida e letal. Nas semifinais, o Tricolor praticamente garantiu a vaga na decisão ao vencer o Corinthians por 2 a 0, no Morumbi (gols de Assis e Tato), diante de 90 mil torcedores. Se existe nó tático no futebol, naquele dia Parreira deu um em Jorge Vieira. Sua equipe não deixou o Corinthians, de Sócrates e cia., jogar. Marcou o campo inteiro e explorou os contra-ataques. O 0 a 0 no jogo seguinte, no Maracanã, acabou sendo só para cumprir tabela.

Veio a decisão contra o Vasco (a primeira entre cariocas). Dois jogos nervosos: em 24 de maio, com 63.156 pagantes, vitória por 1 a 0, gol de Romerito. Três dias depois, precisando vencer, o Vasco foi mais ousado diante de 128.781 pagantes. Bem plantado, o Flu segurou o 0 a 0 e, com um time que não sofreu uma alteração sequer (Paulo Vitor; Ado, Duilio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Romerito, Delei e Tato; Assis. Delei e Washington), pintou o Maracanã de verde, grená e branco.

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