REUTERS/Hans Deryk
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'Pequim é onde tudo mudou para mim'; leia análise de Usain Bolt sobre Jogos de Inverno

Velocista oito vezes campeão olímpico no atletismo se mostra empolgado com a edição do evento neste ano na China, onde diz ter boas recordações

Usain Bolt, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 12h00

Vindo da Jamaica, não tenho experiência em esportes de inverno. Não gosto de frio, prefiro sol. Além de atletismo, os únicos outros esportes que eu realmente pratiquei foram críquete e futebol. Os Jogos Olímpicos de Inverno geralmente escapam à minha atenção, mas desta vez eu quero ver a Olimpíada em Pequim no próximo mês - começam dia 4 de fevereiro.

Pequim é onde tudo mudou para mim. Lembro-me dos detalhes de todas as minhas grandes corridas e este lugar será sempre uma memória especial, pois é onde tudo começou. Aquela Olimpíada de 2008 mudou a minha vida em menos de 30 segundos. A torcida com sua energia no Estádio Ninho de Pássaro foi brilhante.

Ainda não sei quantos jamaicanos estarão competindo em Pequim no próximo mês. Mas eu sei como eles vão se sentir. Nada como entrar no estádio olímpico e sentir a energia da torcida.

Muitos anos atrás, o time de bobsled jamaicano ficou famoso pelo filme "Jamaica Abaixo de Zero". Inspirou muita gente. Nos últimos Jogos Olímpicos de Inverno, tivemos nosso primeiro time de bobsled feminino. Adorei que elas batizaram o trenó de "Mr Cool Bolt".

Eu realmente esperava que fãs de todo o mundo pudessem participar dos Jogos de 2022. Infelizmente, torcedores estrangeiros não poderão ir a Pequim para esses Jogos. Mas para mim, o mais importante é que os Jogos Olímpicos avancem. Os atletas treinam para eles há muitos anos e em circunstâncias difíceis durante a pandemia. Eles ganharam a chance de estar no centro das atenções. Senti o mesmo em relação a Tóquio e tinha planejado ir até lá para ver como era assistir à Olimpíada como espectador, e não como competidor.

Quando assisto aos esportes de inverno, prefiro as modalidades de velocidade como esqui alpino, snowboard e, claro, os bobsleds jamaicanos. Obviamente não estarei em Pequim, mas estou ansioso para ver o Ninho de Pássaro novamente cheio de atletas e pessoas.

A verdade é que agora estou focado em ser um bom pai e apoiar o atletismo de diferentes maneiras. Eu não sinto falta de correr, muito menos de treinar. Mas eu tenho saudade de sentir a energia da multidão. Invejo os atletas que sentirão essa energia em Pequim e desejo tudo de bom para eles.

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