Uso do EPO revolucionou negativamente as provas

Estudo feito por cientistas franceses aponta que desempenho dos atletas aumentou muito há duas décadas

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h03

Um grupo de cientistas franceses que estudou a evolução do ciclismo nos últimos 120 anos realizou cálculos matemáticos para poder analisar e comparar o desempenho dos principais ciclistas das provas internacionais mais importantes do calendário. Sem que os resultados fossem influenciados pela dureza dos percursos, os investigadores calcularam os índices de escalada e chegaram às velocidades médias dos dez primeiros corredores. A ideia era encontrar o motivo para o grande aumento no desempenho dos ciclistas nas últimas duas décadas. Chegou-se à conclusão de que o uso do hormônio eritropoietina ou EPO foi um dos responsáveis pelo melhor desempenho nas provas.

O levantamento, que reuniu dados da Volta da França, da Itália e da Espanha, entre outras provas, revelou quatro períodos de expansão significativa da velocidade. O primeiro ocorreu quando as corridas começaram a ser disputadas antes da 1.ª Guerra Mundial.

O segundo foi entre as duas Guerras Mundiais, graças a melhorias nos treinos e ao desenvolvimento de novos materiais usados na fabricação das bicicletas. Quando terminou a 2.ª Guerra, a velocidade voltou a subir, de forma progressiva, e estabilizou até meados da década de 90. Neste período, as médias baixavam quando o índice de escalada era mais alto.

Segundo os cientistas, uma nova fase de aceleração teve início em 1993, após mais de 30 anos de paralisação nos tempos. O desempenho dos atletas melhorou em 6,38%. As distâncias entre os dez primeiros colocados e os restantes também diminuíram e os desempenhos tornaram-se mais aproximados.

Após a 2.ª Guerra Mundial, os estimulantes usados pelos militares passaram para o esporte de alto nível, mas os estudiosos lembram que algumas das principais inovações farmacológicas surgiram nas últimas duas décadas, como a eritropoietina ou EPO. Trata-se de um hormônio glicoprotéico produzido nos seres humanos e nos animais pelos rins e fígado (em menor quantidade), que tem como função principal regular a eritropoiese. Esse tem como alvo a medula óssea. O gene que codifica a eritropoietina foi clonado em 1985 e é utilizado com êxito na sua produção artificial.

A EPO é muito utilizada para o aumento do desempenho dos atletas, sobretudo nas modalidades de fundo, como o ciclismo, o atletismo ou esqui, pois aumenta o nível de glóbulos vermelhos no sangue, melhorando assim a troca de oxigênio e elevando a resistência ao exercício físico.

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