Andres Stapff/Reuters - 10/9/2011
Andres Stapff/Reuters - 10/9/2011

Vaga olímpica do Brasil veio nas mãos de um argentino

Unanimidade, Rubén Magnano aproximou-se da realidade brasileira e conseguiu mudar a seleção

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

MAR DEL PLATA - Ele pode não ter sido o homem que fez cestas, deu tocos ou realizou assistências. Mas foi quem conseguiu que o Brasil fizesse tudo isso de forma eficiente e, principalmente, atuando de maneira coletiva. Rubén Magnano, 56 anos, argentino de Córdoba, é a face mais vencedora da seleção masculina de basquete que, no sábado, no Pré-Olímpico de Mar del Plata (Argentina), conseguiu lugar nos Jogos após 16 anos de ausência.

Magnano chegou ao Brasil em janeiro de 2010, com contrato até o Pré-Olímpico, com a missão expressa de conseguir a classificação para Londres. Com incontestável currículo - foi o comandante do ouro olímpico de seu país nos Jogos de Atenas, em 2004, e da prata no Mundial de Indianápolis, dois anos antes -, não sofreu as críticas direcionadas ao seu antecessor, o espanhol Moncho Monsalve.

A principal das contestações contra Moncho, que disputou o Pré-Olímpico Mundial em 2008 e não conseguiu levar uma remendada seleção brasileira aos Jogos de Pequim, era a distância entre o técnico e o Brasil. Mudar para o País estava fora de cogitação para o espanhol, que ainda enfrentava problemas de saúde.

Transferir residência de Córdoba para São Paulo não foi um problema para Rubén Magnano e sua mulher, Patrícia. Desde que chegou, o argentino deixou claro que não iria se preocupar apenas com a equipe adulta do Brasil.

Queria, também, mexer com as bases do basquete nacional. Além disso, sempre se esforçou em aprender a falar português. Não gostaria, enfim, de viver no País cujas cores defenderia como total estrangeiro. Uma postura que transcendeu os planos mais otimistas da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Plano de ação. O primeiro desafio de Magnano era liderar o time no Mundial da Turquia, em agosto do ano passado. O Brasil vinha de sua pior participação no torneio, um 17.º lugar no Japão. Antes de fazer sua convocação, o argentino rodou o mundo para conhecer os atletas brasileiros que atuam no exterior - foi à Europa e também aos EUA, conversar com os astros da NBA. Fez questão de acompanhar, in loco, inúmeros jogos nacionais - do Campeonato Paulista ao NBB.

No torneio turco, o Brasil ficou com a 9.ª posição, sendo eliminado nas oitavas de final pela Argentina. Magnano não ficou satisfeito, pois queria figurar entre os oito primeiros.

Neste ano, a prioridade do técnico foi conhecer o que há de basquete no País. Mudou-se para a pacata São Sebastião do Paraíso, no sul mineiro, para ficar perto dos meninos que lá treinavam, no projeto das seleções de desenvolvimento. Mas antes, viajou de norte a sul do País para observar como se joga o esporte por aqui.

"Cisco". Com fama de disciplinador, Magnano fez brincadeira ao ser lembrado das lágrimas que derramou após a vitória por 83 a 76 sobre a República Dominicana, que garantiu a vaga olímpica. "Foi um cisco que entrou no meu olho", disse à imprensa brasileira que está em Mar del Plata, antes de explicar que o feito foi um dos maiores de sua carreira. "Esta equipe não tinha muito crédito. Eles construíram isso graças ao trabalho, ao esforço diário. São coisas que não tem preço."

Também revelou o recado que escreveu para os jogadores, em uma lousa, antes do início da partida: "As portas da glória estão abertas para as pessoas que acreditam em si mesmas." Pensamento que, agora, levará para Londres.

PRINCIPAIS CONQUISTAS

Jogos Olímpicos: três bronzes (Londres/1948, Roma/1960, Tóquio/1964)

Mundiais: dois ouros (Chile/1959 e Brasil/1963); duas pratas (Brasil/1954 e Iugoslávia/1970); dois bronzes (Uruguai/1967 e Filipinas/1978)

Pan: ouro em Indianápolis/1987

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