Vaias e gols

Brasil derrota Japão sem sustos, para alegria da torcida e constrangimento da presidente Dilma, vaiada em Brasília

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI/ BRASÍLIA ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h05

Vaias e aplausos marcaram a estreia do Brasil na Copa das Confederações. Os jogadores saíram ovacionados do Estádio Mané Garrincha, ontem em Brasília, com a tranquila vitória por 3 a 0 em cima do Japão. A presidente Dilma Rousseff não teve a mesma sorte.

Antes mesmo de a partida começar, no protocolo de abertura do torneio, Dilma recebeu uma estrondosa vaia que encobriu os tímidos aplausos de parte da plateia. Até mesmo Joseph Blatter, presidente da Fifa, perdeu a embocadura. Ao lado da presidente, o dirigente tremeu ao ler o rápido discurso dando boas vindas ao País ao torneio.

A seleção brasileira, que não tinha nada com isso, não empolgou se arrastando no primeiro tempo. Uma lentidão sem proposta. Quis fazer da posse de bola sua maior virtude. Teve 63% contra 37% do Japão, de acordo com números oficiais da Fifa. Importante, mas de uma chatice sem fim. O Brasil, se não levou sustos, pouco incomodou o goleiro Kawashima. De pink, ele fez uma intervenção decisiva em chute de Fred. E no golaço de Neymar não tinha mesmo o que fazer. Depois de Fred ajeitar com o peito um cruzamento de Marcelo, o craque do Barcelona bateu de primeira e mandou a bola no ângulo.

Aliás, o gol de Neymar, logo aos 3 minutos, não teve o poder de transformar o jogo da seleção em algo avassalador. Se esperava que, capitaneada por seu astro maior, a equipe fosse para cima dos japoneses para liquidar a fatura. Não foi e permitiu ao Japão voltar à respiração normal. Passado o susto, o time asiático conseguiu manobrar bem a bola sob as ordens de Honda. Faltou apenas o instinto de craque ao meia para levar seu time ao empate.

Honda não teve boa companhia para induzir o Brasil ao erro. A seleção de Felipão também não apresentou seu cartão de visitas. Oscar, desconectado, não apareceu para articular o ataque. Neymar ainda procurou alguma solução com suas arrancadas e dribles diferentes. A melhor alternativa era a combinação de Hulk com Daniel Alves pelo setor direito - o mapa da mina. Acontece que Hulk é escravo de sua força. Por isso ele não traduziu as jogadas em perigo ao pobre Kawashima.

Sem apetite, a seleção frustrou um pouco a imensidão amarela, maioria absoluta entre os 67.423 pagantes no Mané Garrincha. Entre uma decepção e outra, os torcedores bem que tentaram empurrar o Brasil com cânticos surrados. E não foi retribuída com bom futebol.

No segundo tempo, quando se esperava uma resposta do Japão à derrota parcial, a seleção brasileira carimbou o segundo gol. A exemplo do que havia acontecido na primeira parte do jogo com o gol relâmpago de Neymar, Paulinho marcou aos 3 minutos aproveitando cruzamento rasteiro de Daniel Alves. Os japoneses desabaram e a torcida canarinha urrou de alegria. A festa estava garantida.

A vantagem de dois gols deu ainda mais poder à seleção para sustentar a soberania do jogo. Seguros, os jogadores não perderam o controle da situação. Nem mesmo as trocas do italiano Zaccheroni para aumentar o poder de fogo dos japoneses tiraram a concentração do time brasileiro. Em busca de nova motivação, a torcida passou a pedir por Lucas desde os 10 minutos. Felipão atendeu aos chamados lá por volta dos 30 minutos. Lucas entrou no lugar de Neymar, avariado com algumas pancadas, e pouco produziu.

Jô entrou pouco depois de Lucas na vaga de Fred e se deu bem. Nos derradeiros minutos, fez o terceiro com assistência perfeita de Oscar em um contra-ataque. Na comemoração, todos os jogadores, incluindo os do banco de reservas, se abraçaram numa demonstração de união e, por que não, de força. O Brasil larga bem nas Confederações e, parece, com a torcida ao seu lado. A próxima parada é contra o México, em Fortaleza.

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