Vaias para a torcida do Brasil

Estrangeiros reclamam da atuação do público em várias modalidades

Eduardo Maluf e Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

Os brasileiros vêm sendo anfitriões de primeira linha, dizem os estrangeiros. São atenciosos, hospitaleiros e procuram ajudar. ''''É um povo acolhedor, alegre'''', afirmou Guillermo Moreno, técnico de basquete da Colômbia. A maioria se comporta de forma exemplar. Mas alguns indisciplinados prejudicaram a imagem de nossos torcedores. Sobram reclamações contra a torcida, principalmente de cubanos, argentinos e americanos.Jogos Pan-Americanos são diferentes de um jogo de futebol, em que as vaias e hostilidades fazem parte do evento. Houve, no entanto, quem assistiu às apresentações da ginástica artística ou às provas de tiro esportivo como se estivesse na antiga geral do Maracanã. A falta de esportividade causou desaprovação nas finais da fossa olímpica, apesar da pequena torcida presente ao Centro Nacional de Tiro. O apoio à Janice Teixeira foi exagerado e incomodou as estrangeiras. Cerca de 30 pessoas festejavam os acertos de Janice e vaiavam os erros das rivais. ''''A torcida não teve respeito, vaiava sempre que uma de nós ia atirar. Isso nos atrapalhou bastante'''', reclamou a canadense Sue Nattrauss.Na ginástica artística, em que a concentração é fundamental, um grupo gritava em alguns dias. ''''Cai, cai, cai'''', diziam, incentivados pelo ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, que freqüenta com assiduidade as arquibancadas do Pan. ''''Concordo com quem reclama, às vezes os torcedores se comportam de forma nada elegante'''', disse Mabel Gay Tamayo, atleta de Cuba.O maior incidente ocorreu no judô, anteontem, quando o juiz decidiu, de forma polêmica, pela vitória da cubana Sheila Espinosa sobre a brasileira Érica Miranda. Revoltado, o público passou a atirar objetos na área de luta. A confusão foi grande.Rivais do Brasil, os argentinos não vêm tendo sossego. Na estréia do time masculino de futebol, contra o Haiti, no Estádio João Havelange, foram hostilizados o tempo todo. ''''Faz parte do futebol, mas claro que os meninos sentem, eles são muito jovens (sub-17)'''', afirmou Miguel Tojo, técnico da equipe.Mas não resta dúvida de que quem mais sofreu foram os americanos. Presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o mexicano Mario Vázquez Raña aponta razões sociológicas. Para ele, por conta do domínio comercial e cultural dos Estados Unidos, é natural que sejam contestados. ''''É uma pressão que vai acontecer sempre.''''Brincadeira, deboche e provocação até são normais. Mas houve ocasiões em que o limite foi atropelado. Na partida de pólo aquático masculino do sábado, entre Brasil e Estados Unidos, torcedores causaram mal estar ao gritar ''''Osama'''' a cada jogada do rival, referência ao terrorista Osama Bin Laden. ''''Sabemos que os motivos são políticos, mas ninguém gosta de levar vaia'''', disse a jogadora de vôlei Danielle Scott. Ela foi a primeira americana a ser apupada, por carregar a bandeira de seu país durante a cerimônia de abertura do Pan. Só não desbancou o presidente Lula no quesito ''''vaias no Maracanã''''.

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