Vaias para Neymar e novo maestro: os destaques do último teste para Jogos

Com gols de Sandro e Neymar, Brasil venceu com facilidade a Grã-Bretanha por 2 a 0 em Middlesbrough.

Daniel Gallas, BBC

20 de julho de 2012 | 20h30

Uma seleção brasileira rápida no ataque, com bastante posse de bola e com um craque que desequilibra. Esses foram os principais destaques da seleção brasileira no último teste antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em amistoso disputado nesta sexta-feira em Middlesbrough, cidade no norte da Inglaterra.

O Brasil venceu por 2 a 0 e com facilidade a Grã-Bretanha, equipe que foi montada às pressas para o torneio olímpico. Os brasileiros se aproveitaram da falta de entrosamento da seleção da casa e dominou toda a partida. Os dois gols - de Sandro e Neymar - saíram no primeiro tempo.

O atacante Neymar foi um dos destaques do Brasil e desequilibrou o jogo dando o passe para o primeiro gol e ao marcar o segundo, de pênalti. Mas ele sofreu com as vaias dos torcedores britânicos, irritados com o hábito do jogador de cair em campo.

A seleção entra em campo em Cardiff, no País de Gales, na próxima quinta-feira contra o Egito.

1. Oscar na coordenação

O meia do Internacional foi o grande personagem da semana, devido às especulações de que pode estar indo para o Chelsea. Em campo, ele também se provou fundamental. Quase todas as jogadas passam pelo novo camisa 10 da seleção, que deixou o antigo titular e maestro Paulo Henrique Ganso no banco de reservas.

Oscar mostrou entrosamento com Hulk e Neymar, que receberam a maior parte de seus passes. Na falta de opções de jogadas, ou quando os espaços se abrem no meio, ele sabe chutar bem em gol de longe.

2. Torcida da casa contra Neymar

Antes de entrar em campo, Neymar já tinha uma reputação de "diver" - jogador que tem o hábito de cair no chão ao receber qualquer toque. Em um amistoso do Brasil contra a Escócia, no ano passado, Neymar foi muito criticado pela imprensa britânica.

Na semana passada, o assunto voltou à tona, com o tabloide The Sun brincando que Neymar concorrerá nas Olimpíadas não no futebol, mas sim no "diving" - expressão que em inglês tem duplo sentido, podendo significar "nado sincronizado" ou "cai-cai".

Em um lance no primeiro tempo, Neymar caiu na área alegando ter recebido um tapa. O atacante ficou muito tempo caído, mesmo quando a bola já estava em jogo. A torcida não perdoou e passou a vaiar fortemente Neymar toda vez que ele tocava na bola. O jogador tomou uma advertência do juiz, mas apesar das vaias teve boa atuação e logo depois marcou um gol.

3. Velocidade nos passes, mas Damião isolado

Hulk, Neymar e Ganso mostraram bastante entrosamento. Os laterais Rafael e Marcelo também apoiaram bem. Quem acabou sobrando no esquema de Mano Menezes foi o atacante Leandro Damião, que jogou mais centralizado na área. Damião teve apenas uma chance clara de gol e foi pouco procurado pelos laterais e meias da Seleção.

Ainda não está claro se Damião - ou outro atacante que venha a desempenhar este papel - é uma espécie de "arma secreta", a ser usada em momentos de dificuldade, ou se é um jogador que não está integrado no esquema de jogo.

4. Teste fraco contra seleção desentrosada

A seleção olímpica não foi devidamente testada contra a Grã-Bretanha. A equipe era uma incógnita antes do jogo, por nunca ter atuado junta, e está até mesmo na lista de favoritas para disputar o ouro, devido à tradição da Inglaterra e por jogar em casa.

Mas os britânicos provaram-se um adversário bastante fraco, mais comparável aos adversários que o Brasil terá na primeira fase. A defesa brasileira - com Thiago Silva e Juan - não foi devidamente testada ainda. A Grã-Bretanha também jogou com o meio campo bastante aberto, possibilitando os avanços de Oscar, Hulk e Neymar. A equipe de Mano Menezes provavelmente terá pela frente algumas retrancas nos Jogos Olímpicos.

Nesta sexta, a seleção precisou fazer muito pouco para ganhar por um placar que poderia ter sido muito maior.

5. Reservas em funções idênticas

Com a vitória selada no primeiro tempo, o segundo tempo foi um grande laboratório para os dois técnicos. O técnico britânico colocou todos os seus substitutos em campo, trocando até mesmo o goleiro. Mano começou colocando Ganso, Lucas e Pato nos lugares de Oscar, Hulk e Damião. Em seguida, Marcelo e Sandro deram lugar a Danilo e Alex Sandro.

As alterações não mudaram muito a forma de o Brasil jogar, com jogadores desempenhando o mesmo papel de quem haviam substituído. Uma dúvida no ar neste primeiro teste é: será que - como Dunga em 2010 - as opções do banco têm características muito parecidas com as dos jogadores que estão em campo? O Brasil tem alternativa ao esquema de jogo?

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