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Antero Greco
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Vaivém no Brasileiro

O Brasileiro não é nenhuma maravilha - e a todo momento descemos a ripa na qualidade técnica dos jogos. Mas tem a compensação e ela vem na forma de emoção na tabela - na parte de cima e na zona do descenso. O sobe e desce bagunçou a classificação na antepenúltima rodada do primeiro turno. Indício de tensão na segunda metade do campeonato. Por enquanto, só o Cruzeiro navega em águas calmas, plácidas, mansas e muito azuis.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2014 | 02h01

Noves fora o líder, o fim de semana foi extraordinário para o São Paulo. Até dias atrás, Muricy Ramalho e rapaziada estavam sob fogo cruzado, e com razão. O time colecionava vacilos na Série A, agravados pela humilhante eliminação na Copa do Brasil, com a derrota para o Bragantino. Aqueles 3 a 1 pegaram mal e mereceram ensaboada pública da cartolagem tricolor.

Sem alarde, os resultados começaram a aparecer - e com eles melhorou também a qualidade do desempenho. O São Paulo jogou o suficiente nos 2 a 1 diante do Palmeiras, no domingo passado, mostrou garra no 1 a 0 pra cima do Inter, em Porto Alegre, na quarta-feira, e foi eficiente e seguro nos 2 a 1 de ontem à tarde no duelo com o Santos.

O clássico teve velocidade, bons momentos, chances para ambos os lados e foi definido em lances em que prevaleceu a categoria de Ganso e Pato. O meia brilhou outra vez, além de honrar a tradição de que "ex" incomoda e não perde ocasião de mostrar valor a quem supostamente não o compreendia. O atacante lascou outro gol, e decisivo, em sinal de que pegou o rumo certo depois de curtir banco por muito tempo, a ponto de quase ir embora do Morumbi.

Mas o São Paulo foi mais do que a dupla aviária em ascensão. Kaká sente-se à vontade, o meio de campo foi bem na marcação, a defesa não ficou desprotegida (embora falhe em bolas altas). Rogério apareceu quando necessário.

Tudo uma beleza, então? Não. O São Paulo sentiu o esforço e faltou fôlego no final. E o Santos acusou o golpe da ausência de Robinho. Pra piorar, Thiago Ribeiro e Damião, que fizeram gols na rodada anterior, voltaram a marcar passo, até ceder lugar para Patito e Rildo, que não mudaram grande coisa. A turma de Oswaldo de Oliveira leva jeito de se tornar coadjuvante daqui pra frente. Se distancia da briga por título.

O São Paulo saiu de campo na condição de novo vice-líder, com 32 pontos, um a mais do que Inter e Corinthians. Os gaúchos caíram no sábado (1 a 0 para o Atlético-MG) e o rival paulista perdeu para o Grêmio num confronto nervoso, pegado, com gols no segundo tempo, polêmicas e expulsão.

Grêmio x Corinthians foi quente pelo nível técnico, pela intensidade de algumas divididas e por critérios disparatados de Héber Lopes. O árbitro ignorou uma cabeçada de Fagner em Barcos, no começo do segundo tempo, mas nos descontos expulsou Guerrero por ficar cabeça a cabeça com Alan Ruiz, que caiu a simular agressão. Também interpretou como normal bola desviada no braço de Werley dentro da área do Grêmio, para irritação geral de corintianos, Mano incluído.

Felipão caprichou na marcação no meio, como de hábito, sem por isso tornar o time menos ofensivo. O Corinthians teve dificuldade para chegar ao gol de Marcelo Grohe na etapa inicial. Após o intervalo, em dois lances rápidos e com cochilos defensivos alvinegros, Barcos construiu a vantagem com dois gols. Guerrero diminuiu, deu esperança de que o empate seria possível, e ficou nisso. O Grêmio subiu, o Corinthians empacou e a briga pelo bloco principal embola de vez.

Palmeiras respira. A vitória sobre o Coritiba, nos embalos do sábado à noite, foi apertada, justinha, mas bem-vinda. O Palmeiras largou a lanterna e pode comemorar o centenário com esperança de que o ano não terminará em catástrofe. Que assim seja - e parabéns pelos 100 anos, um século de história linda e heroica.

Fla reage. Até dias atrás, segurava a lanterna, agora tem 22 pontos, embala e ressurge, junto com Luxa.

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